Criador de Três Graças, Aguinaldo Silva analisou os elementos que fizeram a novela das nove conquistar o telespectador em uma época em que a TV aberta
tem sofrido com a fuga do público. O autor ainda pontuou as tramas que mais se destacaram e contou quais são seus próximos projetos.
"Novela é folhetim, gênero que nasceu no século 18 e sobrevive ao tempo. Não existe outro gênero literário que tenha tocado tão de perto a alma humana. E foi na TV, em forma de novela, que ele achou o seu abrigo ideal. Penso que ainda teremos muitas novelas e que elas encontrarão o coração do público se forem populares, melodramáticas e, claro, folhetinescas", opinou o veterano.
O escritor ainda falou sobre como foi levar uma nova trama para a Globo anos depois de ter sido demitido da emissora. "Não posso chamar de retorno, já que, nesses seis anos em que não produzi nada de original, tive duas novelas reprisadas no horário nobre", ressaltou, em referência a Fina Estampa (2011) e Império (2014), reprisadas durante a pandemia da Covid-19.
"E continuei a trabalhar para mim. Produzi sinopses de novelas, minisséries e seriados... Acho que, quando eu morrer, haverá muito produtor interessado em comprar o que chamo de 'o baú do Aguinaldo'. Quanto à volta, voltei porque me deu uma vontade enorme de voltar, foi só isso", afirmou.
Silva ainda comentou o sucesso da história de Gerluce (Sophie Charlotte). "O gosto, para mim, foi o mesmo de outras novelas: 'Estamos fazendo bem, o esforço está valendo, só não podemos correr para o abraço antes do fim'. Mas o modo como os amantes do gênero embarcaram em Três Graças foi uma grata surpresa", valorizou.
Entre os acertos, o autor destaca a "linguagem altamente popular expressa através de personagens igualmente populares e reconhecidos pelo público". "Novela é obra aberta e extensa, nem sempre tudo sai como planejamos ou idealizamos, mas estou muito satisfeito", disse.
Já os personagens que cresceram, segundo o autor, foram Lucélia (Daphne Bozaski) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky). "A Lucélia chegou e tomou o núcleo da galeria de arte de assalto. A Juquinha, que a princípio teria com Paulinho [Romulo Estrela] uma relação de amizade e implicância, abriu o próprio caminho rumo ao estrelato. Fazer com que ela tivesse uma relação amorosa com Lorena [Alanis Guillen] foi um grande acerto. Outro exemplo é o casal Viviane [Gabriela Loran] e Leonardo [Pedro Novaes]."
O autor, aliás, não esconde que já queria retratar o amos entre duas mulheres já muito tempo. "Eu já tinha seguido por esse caminho em Senhora do Destino [2004], a filha de um personagem homofóbico tinha um caso com outra menina. Desta vez, a trama foi mais desenvolvida e a reação do público foi altamente positiva. É aquela história do 'ó tempos, ó costumes': acho que agora o público, ainda bem, está mais preparado para encarar de perto o assunto", celebrou.
Silva não planeja parar após o desfecho de Três Graças. "Sou um trabalhador compulsivo. Depois que escrevemos a palavra 'fim' no último capítulo de Três Graças, fui dormir e, na manhã seguinte, comecei a trabalhar na sinopse de uma minissérie. Mas esse é um projeto apenas meu, por enquanto. E eu o retomei apenas para não ficar, por falta do que fazer, matando moscas nas paredes de casa (risos)", contou.
Três Graças é escrita pelos autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva. A novela das nove exibe seu último capítulo nesta sexta (15). A trama serásubstituída por Quem Ama Cuida, novo folhetim de Walcyr Carrasco.
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