Os cinco primeiros minutos de Todo Mundo em Pânico, que volta aos cinemas nesta quinta (4), exatos 13 anos depois do último filme, são provavelmente o melhor
momento da produção. Teyana Taylor faz uma participação especial afiada, com piadas que dão a falsa impressão de que o longa terá coragem de seguir por um caminho mais ácido. A produção até consegue a proeza de ofender pessoas em todos os espectros políticos --esquerda, direita, centro e até quem parece perdido em alguma diagonal ideológica. O problema é que faz isso da maneira mais politicamente correta possível, como se quisesse posar de transgressor sem correr nenhum risco real.
Durante quase 1 hora e 40 minutos, o filme não poupa ninguém. Passa pela suposta saudação nazista feita por Elon Musk, pelo movimento Me Too, pelo escândalo envolvendo o rapper P. Diddy e até pela cultura "too woke" --o ativismo social centrado em pautas progressistas, mas que muitas vezes se perde em uma espécie de superioridade moral.
Só que nenhuma piada é realmente desconcertante, capaz de provocar algum tipo de estranhamento. O humor é óbvio e pouco ácido, bem diferente dos filmes anteriores, que eram mais iconoclastas: também ofendiam todo mundo, mas sem qualquer medo de retaliações ou mesmo de ser processado.
A impressão que fica é que os irmãos Wayans fizeram uma "carta de amor" de tiozões para tiozões. À parte algumas cenas realmente engraçadas, Todo Mundo em Pânico funciona como um aceno ao saudosismo e a uma época "em que as coisas eram mais simples".
Provavelmente, aquela pessoa no Instagram que compartilha a imagem de um biscoito que saiu de linha há mais de 20 anos e jura que a geração atual está perdida vai amar cada uma das sequências e rir bastante.
As partes mais engraçadas, curiosamente, aparecem quando os diretores deixam um pouco de lado a guerra geracional --mote central do filme-- para se concentrarem justamente na paródia dos filmes de terror. Há momentos bastante inspirados, em lampejos que lembram os primeiros longas, com referências a Terrifier (2016), Corra! (2017), Pecadores (2025), A Substância (2024), A Hora do Mal (2025) e à franquia Premonição (2000-2025).
Graças a Deus, o Twitter vai odiar
O ponto mais alto de Todo Mundo em Pânico é que o Twitter --não exatamente a plataforma X, mas aquilo que ela representa no imaginário social-- provavelmente vai odiar o filme. E isso é ótimo: sinal de que ele cumpre, ao menos em parte, sua missão. O problema é que o TikTok talvez ame. E isso é péssimo.
Como em qualquer outra trama da franquia, o sexto episódio tem um longa de terror como espinha dorsal --neste caso, Pânico 6 (2023). O problema é que o filme vai se perdendo a cada piada, sem que elas necessariamente ajudem a sustentar a história, como acontecia em Todo Mundo em Pânico (2000) e Todo Mundo em Pânico 2 (2001).
A experiência é parecida com ver um filme com o celular na mão: você assiste a um trecho, abre o TikTok, cai em um vídeo de 30 segundos e depois volta tentando entender o que perdeu naquele momento de distração.
Quem espera um nível de ousadia parecido com o de Para Wong Foo, Obrigada por Tudo! (1995), em que RuPaul simplesmente aparece vestida com a bandeira dos Confederados e batizada de Rachel Tensions (que, em inglês, soa como "tensões raciais"), pode esquecer. Todo Mundo em Pânico não consegue chocar ninguém, desconcertar ninguém, nem entregar uma piada que não possa ser repetida por aí. E isso faz muita falta.
A não ser que você seja muito sensível. Nesse caso, talvez seja melhor assistir só aos cortes no X. Confira o trailer do filme:










