O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a criticar a concessão da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), feita durante a gestão do governador Tarcísio
de Freitas (Republicanos). A empresa Equatorial Participações e Investimentos se tornou a principal investidora da Sabesp em 2024, ao comprar bloco de 15% de ações da empresa, por R$ 6,9 bilhões.
“Praticamente, todos os contratos de concessão ferroviária do Tarcísio no Ministério dos Transportes tiveram que ser refeitos”, afirmou Haddad. “Quase todos os contratos de concessão de ferrovia do Tarcísio como ministro tiveram que ser refeitos pelo Renan Filho, ministro atual, com o acompanhamento do Tribunal de Contas da União. Ele é especialista em assinar contrato mal feito.”
Tarcísio foi ministro da Infraestrutura durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022. O governador também foi diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), durante o governo de Dilma Rousseff (PT), entre 2011 e 2015.
Haddad destacou problemas recorrentes envolvendo a operação da Sabesp, como o vazamento de gás causado durante obra da empresa no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, no mês passado. “Tudo mal explicado em relação à própria privatização, a maneira como eles construíram o edital, a desistência dos participantes até chegar num único participante, que é Equatorial, que vem se comportando muito mal frente ao consumidor do serviço público”, disse.
O petista já havia sinalizado que deve avaliar o contrato que foi assinado pela gestão Tarcísio e averiguar as cláusulas protetivas dos consumidores antes de eventual reestatização da Sabesp.
Vice segue indefinida
Sobre a indefinição da vaga de vice, Haddad disse que o posto permanece incerto. Nas últimas semanas, o ex-ministro havia dito que a decisão seria anunciada entre o fim de maio e o começo de junho.
“Acredito que vai ser para logo. Depende um pouquinho da agenda do presidente [Lula], também, que quer conversar com os companheiros do PSB, sobretudo, tem mantido conversas com o João Campos também, com o Márcio [França], com a própria Simone [Tebet]. Mas eu penso que, tendo o presidente Lula, o vice-presidente [Geraldo] Alckmin na mesa, fica tudo mais fácil de resolver”, afirmou.
Segundo Haddad, trata-se mais de uma questão interna do PSB. “Por isso, a participação do vice-presidente [Alckmin] é importante”, destacou ele, enquanto nos últimos dias, aliados de Haddad defenderam França para a vaga.
Entre os petistas de São Paulo, o nome do ex-governador de São Paulo é visto como “uma tendência”, mas, no PSB a conversa é outra. Embora não se afaste a possibilidade de França aceitar o convite, o objetivo dele é concorrer ao Senado.
Tarcísio se manifesta
Em nota, o Governo de São Paulo argumenta que Tarcísio de Freitas “promoveu uma ampla agenda de expansão ferroviária no país enquanto esteve à frente do Ministério da Infraestrutura”.
- Leilão da Ferrovia Norte-Sul, entre Estrela d’Oeste, em São Paulo, e Porto Nacional, em Tocantins.
- Leilão do primeiro trecho da Fiol, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, entre Ilhéus e Caetité, na Bahia.
- Avanços nas obras da Fiol 2, entre Caetité e Barreiras, e no projeto da Fiol 3, entre Barreiras e Figueirópolis, já no Tocantins.
- Renovação antecipada da concessão da Malha Paulista.
- Construção da Fico, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, por meio do mecanismo de investimento cruzado, entre Mara Rosa, em Goiás, e Água Boa, em Mato Grosso, além da integração com a Ferrovia Norte-Sul.
“Com o novo Marco Legal Ferroviário, abriu caminho para que o setor privado pudesse investir diretamente no setor por meio do regime de autorizações. Reunidos no programa Pro Trilhos, os requerimentos somaram mais de R$ 180 bilhões em investimentos previstos”, completa a nota.













