Os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina estão no radar do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) como potenciais estados com altas concentrações das cobiçadas “terras raras” — uma combinação de 17
elementos químicos encontrados em relativa abundância na natureza, mas cujo processo de extração e isolamento é complexo e caro, e de suma importância para a indústria tecnológica.
Um estudo divulgado pelo órgão federal inclui os municípios:
- em São Paulo: Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia;
- no Paraná: Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul; e
- em Santa Catarina: Joinville e Garuva.
“Em algumas amostras, os teores totais ultrapassam 8 mil ppm (partes por milhão) de TREE (somatória de todos os elementos terras raras), valores considerados altos para esse tipo de ocorrência e que indicam um enriquecimento expressivo”, detalhou o pesquisador do SGB Guilherme Troncon Guerra.
Segundo ele, nas regiões pesquisadas, há também concentrações superiores a 3 mil ppm de elementos de terras raras magnéticos (MREE), como neodímio e térbio.
Após os resultados promissores, o governo deve ainda este ano iniciar mais uma etapa do estudo, desta vez nas cidades de Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra, todas em São Paulo.
Para se ter uma noção do potencial brasileiro no setor, a China é o país com a maior concentração de terras raras em seu território, com cerca de 40% da reserva mundial. O Brasil aparece em seguida, com aproximadamente 20%, mas, ao contrário do país asiático, o Brasil não detém a tecnologia de exploração.
Governo já vende a ideia
Nessa terça-feira (19/5), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, recebeu o CEO global do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis, para discutir investimentos no setor.
Durante o encontro, Silveira afirmou que o Brasil está aberto ao capital estrangeiro, inclusive ao norte-americano. Porém, deixou claro que os investimentos precisarão respeitar a soberania nacional e os interesses econômicos do país.
“O Brasil está aberto ao capital americano e de qualquer outro país que respeite a nossa soberania. Essa é a mensagem que o presidente Lula deixou ao presidente dos Estados Unidos e a todo mundo”, declarou Silveira.
No dia anterior, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu, em Paris, na França, investimentos estrangeiros para a exploração de minerais críticos no Brasil. Ele também se manifestou a favor de o país elaborar marco legal que dê segurança jurídica para atrair o capital.
*Com informações do NSC Total, parceiro do Metrópoles.











