O hacker brasileiro Patrick César da Silva Brito, de 32 anos, foi incluído na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), mecanismo utilizado para alertar autoridades
policiais de diferentes países sobre pessoas procuradas pela Justiça.
Natural de Araçatuba, no interior de São Paulo, Patrick foi condenado em agosto de 2025 por invadir dispositivos eletrônicos do ex-prefeito da cidade, Dilador Borges (PSDB), e de sua esposa, Deomerce Damasceno. Segundo o processo, ele acessou ilegalmente os aparelhos das vítimas e exigiu dinheiro para não divulgar informações pessoais que poderiam causar prejuízos à imagem do casal.
A inclusão na lista da Interpol ocorre enquanto o hacker permanece fora do Brasil. Patrick chegou a ser preso em dezembro de 2022 na região de Belgrado, capital da Sérvia, onde vivia na época. Desde então, travou uma disputa judicial para tentar impedir sua extradição ao país de origem.
Além da condenação por invasão de dispositivos e extorsão, Patrick também é personagem central em uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) sobre um suposto esquema de obtenção ilegal de provas envolvendo policiais civis do interior paulista. O hacker afirma que recebeu informações sigilosas de agentes para acessar aparelhos de investigados e obter dados que teriam sido utilizados em inquéritos policiais. As acusações são negadas pelos policiais citados.
Quem é o “hacker de Araçatuba”
- Patrick Brito foi preso pela primeira vez em 22 de janeiro de 2021, em Araçatuba, por invadir o celular do então prefeito da cidade, Dilador Borges (PSDB). Aos 27 anos, o hacker tentou extorquir o político, pedindo R$ 70 mil para não divulgar informações comprometedoras.
- Após a prisão, ele teria sido chamado para uma conversa com o delegado Carlos Henrique Cotait, na sede da Divisão Especializada de Investigações Criminais(Deic).
- Brito afirma que, na ocasião, o policial teria prometido “aliviar” no inquérito sobre as extorsões, caso ele ajudasse a “prender pessoas” em outras apurações. O rapaz teria concordado e deixou a delegacia com R$ 10 mil e seu passaporte, que haviam sido apreendidos.
- O hacker diz que, a partir desse momento, passou a atuar para a equipe de Cotait, indo algumas vezes à delegacia para trocar informações sobre investigados e depois colaborando à distância, após se mudar para a Sérvia.
- Ele afirma, inclusive, que era remunerado pelos serviços, por meio da entrega de envelopes com dinheiro deixados na casa de sua mãe, na periferia de Araçatuba.
- Com o objetivo de comprovar sua relação financeira com os policiais, juntou a diferentes inquéritos um comprovante de transferência bancária de R$ 60 feita pela investigadora Cindy Orsi Nozu, braço direito do delegado, para uma conta da avó de Patrick.
- Em áudio enviado a um colega em 2022, a mulher disse que fez o depósito porque ficou “com dó” de Brito. Segundo ela, ele estava “dormindo na rua” por não pagar o aluguel.
- A transcrição da gravação consta de um outro inquérito, da Polícia Federal, que apura uma suposta fraude cometida pela investigadora, com ajuda do hacker, em um concurso em que ela pretendia ser aprovada como delegada da instituição.
Operação Raio-X
O caso ganhou repercussão após denúncias relacionadas à Operação Raio-X, deflagrada em 2020 para apurar suspeitas de desvios de recursos públicos em contratos entre prefeituras e organizações sociais. Um dos alvos da operação, o médico Franklin Cangussu Sampaio, relatou ter sido extorquido após ter o celular apreendido durante as investigações. Posteriormente, as apurações apontaram Patrick como responsável pela invasão do dispositivo.
De acordo com informações divulgadas pela Interpol, Patrick é procurado por crimes como extorsão, invasão de dispositivos informáticos, perseguição, ameaça, calúnia, injúria, coação no curso do processo e lesão corporal. A Difusão Vermelha permite que autoridades policiais de diferentes países sejam alertadas sobre a localização do procurado, auxiliando em eventual prisão para fins de extradição.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa de Patrick Brito afirmou que recebeu “com tranquilidade” a informação sobre a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. Segundo o advogado Paulo Klein, a medida já era de conhecimento da defesa há mais de quatro anos.
A defesa sustenta que o processo é marcado por supostas ilegalidades e afirma confiar que a Interpol analisará o caso de forma criteriosa. Ainda de acordo com o advogado, a expectativa é que o nome de Patrick Brito seja retirado da lista após a avaliação dos fatos e das irregularidades apontadas pela defesa.

















