A Go Up Entertainment, produtora do Dark Horse, filme que conta a história do ex-presidenteJair Bolsonaro (PL), afirmou ter gastado US$ 9,6 milhões nos Estados Unidos, o equivalente a R$ 54,2 milhões,
para a produção do longa-metragem.
Além dos R$ 54,2 milhões declarados, a produtora diz em perícia (leia mais abaixo) que desembolsou R$ 20,9 milhões no Brasil, totalizando R$ 75 milhões. A título de comparação, o filme brasileiro O Agente Secreto, que concorreu ao Oscar, teve o custo total estimado em R$ 28 milhões.
Gravado no Brasil, o filme contou com atores norte-americanos, como Jim Caviezel, que representou Bolsonaro. Dois estadunidenses também estão entre os roteiristas de Dark Horse – Cyrus Nowraseth e Mark Nowrasteh.
Os cineastas, que são pai e filho, trabalharam com o deputado federal Mario Frias (PL-SP) na elaboração do roteiro do filme. O parlamentar também atua como produtor executivo da película.
Os valores gastos nos Estados Unidos constam em perícia anexada pela Go Up a um processo no qual o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence à mesma dona da produtora de Dark Horse, é investigado por suspeita de desviar dinheiro de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para financiar o filme. A empresária Karina Ferreira da Gama é a responsável pela produtora e pelo instituto.
A reportagem entrou em contato com a produtora, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Conforme revelado pelo Metrópoles, a Go Up declarou na perícia que a cinebiografia de Bolsonaro custou US$ 13,3 milhões, o equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões.
Na declaração de gastos, a produtora informou que o orçamento inicial aprovado era de US$ 16 milhões (R$ 89,7 milhões). O valor é R$ 44,8 milhões menor do que a quantia (R$ 134 milhões) que teria sido negociada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, em 2025, conforme revelado pelo site The Intercept Brasil.
No relatório de gastos apresentado pela Go Up, os valores estão discriminados da seguinte forma:
- Desenvolvimento do projeto, nos Estados Unidos – US$ 383 mil;
- “Soft-production” – US$ 2,6 milhões;
- Pré-produção, nos Estados Unidos – US$ 2,6 milhões;
- Produção e filmagem nos Estados Unidos – US$ 1,9 milhão;
- Produção e filmagem no Brasil – US$ 3,7 milhões; e
- Pós-produção, nos Estados Unidos – US$ 1,9 milhão.
Segundo a perícia, até o dia 10 de junho, o fundo Heavengate Development Fundp LP, usado para a captação de recursos, havia enviado US$ 13,3 milhões para o filme. No Brasil, os valores usados na obra cinematográfica foram recebidos por meio de uma conta no Banco do Brasil. A maior parte, R$ 18,4 milhões, por transferências via Pix.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto têm origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, afirma a perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).
Eduardo nos EUA
Após a revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro enviou dinheiro para a produção do filme Dark Horse por meio do fundo Heavengate Development, a Polícia Federal passou a investigar se os recursos foram utilizados para financiar a estada do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
O fundo tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, que pertence ao advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo. O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter articulado sanções contra autoridades brasileiras.













