Você come uma fruta, sente a boca coçar, a garganta fechar um pouco, ou aparecem manchas vermelhas na pele. A maioria das pessoas ignora e atribui ao tempo, ao calor ou a qualquer outra coisa. Mas pode
ser alergia alimentar, e com fruta isso é mais comum do que se imagina.
No Brasil, cerca de 6% da população infantil e 3,5% da população adulta convivem com alguma forma de alergia alimentar, segundo dados da instituição Alergia Alimentar Brasil. Os registros de reações alérgicas a alimentos têm aumentado há vinte anos, a ponto de pesquisadores tratarem esse crescimento como um fenômeno que impacta o material genético.
Antes de entrar na lista de frutas, há um mecanismo importante que explica boa parte das alergias a elas: a síndrome látex-fruta. O nome é estranho, mas a lógica é simples. Entre 30% e 50% das pessoas alérgicas ao látex, aquele material de luvas de borracha, desenvolvem hipersensibilidade a algumas frutas, porque elas contêm proteínas com estrutura parecida com a da seringueira.
As principais frutas envolvidas nessa reação cruzada são: abacate, mamão, maracujá, manga, banana, figo, melão, pêssego e kiwi. Alguns vegetais, como tomate e batata, também entram nessa lista.
Existem frutas que causam reações por outros caminhos. Abacaxi, morango e tomate liberam histamina, substância que simula ou intensifica reações alérgicas, especialmente as urticárias na pele. Já laranja, limão e figo podem causar reações de contato, ou seja, a pele que entra em contato com o suco ou a casca é que reage.
E há uma novidade que os especialistas estão acompanhando de perto. A banana vem ganhando destaque crescente nas estatísticas de alergia alimentar no Brasil, ao lado de amendoim, castanhas e sementes como chia e linhaça. Frutas que a gente come sem pensar duas vezes estão entrando no radar dos alergistas.
Os sintomas variam muito: coceira na boca ou na garganta logo após comer a fruta é o sinal mais comum e costuma ser leve.
Em alguns casos, a reação pode evoluir para urticária, sintomas respiratórios, cardiovasculares e anafilaxia, reação grave que pode ser fatal, desencadeada até por uma pequena quantidade da fruta.
Uma dica prática: se a reação acontece só com a fruta crua e some quando ela é cozida ou assada, a chance de ser síndrome látex-fruta é alta. O calor destrói as proteínas responsáveis pela reação cruzada. Se a reação acontece de qualquer forma, independentemente do preparo, o quadro é diferente e merece investigação médica.
Alergia à fruta não é frescura nem drama. É o sistema imunológico confundindo uma proteína inofensiva com uma verdadeira ameaça.















