O Conselho de Segurança da ONU realizará na tarde desta segunda-feira (1º/6) uma reunião de emergência sobre o avanço de Israel no Líbano.
O encontro foi solicitado pela França após o Exército israelense
tomar a emblemática fortaleza medieval libanesa de Beaufort, informaram fontes diplomáticas nesse domingo (31/5).
O presidente Emmanuel Macron considera que “nada justifica a escalada significativa em curso no sul do Líbano”. Ele avaliou neste domingo que é “urgente que todas as armas se calem definitivamente”.
Macron fez as afirmações em uma mensagem publicada na rede X após conversar com vários líderes da região.
O presidente francês também declarou que “é essencial que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã seja alcançado rapidamente”, após telefonemas com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, e o presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi.
Reunião da ONU
A discussão no Conselho de Segurança da ONU sobre o Líbano ocorrerá imediatamente após outra reunião de emergência solicitada pela Romênia devido à queda de um drone sobre um edifício em Galați, programada para as 15h (16h em Brasília), segundo as mesmas fontes.
A França solicitou o debate nas Nações Unidas sobre o avanço de Israel no sul do Líbano após o Exército israelense tomar a emblemática fortaleza medieval libanesa de Beaufort, anunciou neste domingo o ministro francês das Relações Exteriores.
“Solicitei uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas porque, embora reconheçamos o direito de Israel, como de todos os países, à legítima defesa, a se defender dos ataques do Hezbollah (…), nada pode justificar a continuidade das operações militares israelenses no Líbano e sua ocupação cada vez maior do território libanês”, declarou Jean-Noël Barrot à emissora BFMTV.
“Trata-se de um erro grave por parte de Israel, porque (…) esse avanço no território libanês é não apenas contrário aos compromissos de Israel, já que desde 17 de abril há um cessar-fogo no Líbano, como também contrário ao direito internacional e aos próprios interesses e à segurança de Israel”, acrescentou.
Segundo o chanceler francês, “cada vila libanesa bombardeada, cada vila ocupada, cada civil morto fortalece o Hezbollah”.
O chefe da diplomacia francesa também considerou que a continuidade das operações contra o Hezbollah, aliado do Irã, “também fragiliza” um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, “que prevê a cessação das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano”.
Sobre as negociações de um acordo sobre o programa nuclear iraniano entre Washington e Teerã, Jean-Noël Barrot alertou para declarações que não sejam seguidas de ações, enquanto o presidente americano Donald Trump afirma ter recebido do Irã o compromisso de não desenvolver armas nucleares.
Fortaleza estratégica de Beaufort
O Exército israelense anunciou neste domingo ter capturado a icônica fortaleza medieval de Beaufort, no sul do Líbano. O avanço marca uma nova etapa da ofensiva terrestre israelense no país vizinho, com o objetivo de “esmagar” o grupo Hezbollah, aliado do Irã.
A fortaleza de Beaufort é considerada estratégica para a defesa dos assentamentos judaicos da Galileia, no norte de Israel, e abre caminho para o avanço em direção à região de Nabatieh.
“Quarenta e quatro anos após a heroica Batalha de Beaufort e neste dia em memória dos soldados que tombaram na Primeira Guerra do Líbano (1982)”, os militares “retornaram ao topo de Beaufort e hastearam novamente a bandeira israelense”, celebrou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
“Estamos todos determinados a esmagar o poder do Hezbollah e cumprir a missão, garantir a segurança dos habitantes do norte de Israel”, completou o ministro.
Por duas décadas, as forças israelenses utilizaram Beaufort como base durante a ocupação do sul do Líbano, encerrada em 2000.
Também neste domingo, Israel ordenou a evacuação da população de uma grande área dessa mesma região, entre sua fronteira e o rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte. No sábado (30/5), o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, havia acusado Tel Aviv de adotar uma “estratégia de terra arrasada” em seu país.
Em um pronunciamento na TV, Salam declarou que a “punição coletiva” dos libaneses adotada pelo país vizinho “não lhe trará segurança nem estabilidade”. Ainda assim, ele defendeu a continuidade das negociações diretas com Israel, iniciadas em abril para resolver o conflito e rejeitadas pelo Hezbollah, considerando-as “o caminho menos custoso” para o Líbano.
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