Há alguns anos, a influenciadora Maíra Cardi revelou ao público que teve um câncer na tireoide aos 27 anos. Atualmente, a famosa está completamente recuperada e relatou sobre o impacto do diagnóstico na sua
vida. Para entender mais sobre o assunto, a CARAS Brasil entrevista o Dr. Jorge Abissamra , médico oncologista e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho.
“Fiz iodoterapia, porque tive um câncer de tireoide, e eu me neguei a tomar remédio para o resto da vida. Resolvi estudar sobre alimentação para ver como eu conseguiria mudar isso”, disse Maíra Cardi nas redes sociais em 2021. Em outra oportunidade, a influenciadora relembrou o diagnóstico já superado.
Opinião do médico especialista
O Dr. Jorge Abissamra Filho, médico oncologista, aponta que o câncer de tireoide é um tumor que se desenvolve na glândula tireoide, localizada na parte anterior do pescoço e responsável pela produção de hormônios que controlam o metabolismo do organismo.
Existem diferentes tipos de câncer de tireoide. Os mais comuns são:
- Carcinoma papilífero;
- Carcinoma folicular;
- Carcinoma medular;
- Carcinoma anaplásico.
Quais os sintomas?
O oncologista alerta que muitos pacientes inicialmente não apresentam sintomas, e o diagnóstico acaba ocorrendo após exames de rotina ou ultrassonografia cervical. Porém, os sinais que mais merecem atenção são:
- Nódulo no pescoço;
- Aumento da tireoide;
- Rouquidão persistente;
- Dificuldade para engolir;
- Sensação de pressão cervical;
- Aumento de linfonodos no pescoço.
Porém, ele menciona que a grande maioria dos casos corresponde aos tumores papilíferos, que costumam apresentar crescimento mais lento e altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente.
Cuidados importantes
A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta um aumento de 77% nos diagnósticos globais de câncer até 2050, passando de 20 milhões (em 2022) para 35,3 milhões de novos casos. O Dr. Jorge Abissamra responde sobre a incidência de casos de câncer na tireoide.
"O câncer de tireoide é um dos tumores endócrinos mais frequentes no mundo e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas. Apesar disso, na maioria dos casos ele apresenta excelente prognóstico, especialmente os tumores diferenciados, como o papilífero e o folicular. Hoje vemos muitos pacientes completamente curados após cirurgia e acompanhamento adequado", tranquiliza.
Existe relação?
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o câncer de tireoide é o quinto mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste (sem considerar o câncer de pele não melanoma). O oncoligista esclarece.
"Acredita-se que fatores hormonais e maior frequência de investigação médica feminina contribuam para isso. As mulheres realizam mais exames preventivos, consultas ginecológicas e avaliações clínicas regulares, o que aumenta a chance de identificar pequenos nódulos tireoidianos. Além disso, há hipóteses envolvendo influência hormonal, especialmente do estrogênio, sobre o tecido tireoidiano, embora isso ainda esteja sendo estudado. Curiosamente, apesar de menos frequente nos homens, quando o câncer de tireoide ocorre neles, ele pode apresentar comportamento mais agressivo em alguns casos", revela.
Tratamento
É importante reforçar que o tratamento é individual e cada caso precisa ser acompanhado por um médico especialista. Os fatores dependem do tipo do tumor, tamanho, presença de disseminação e perfil de risco do paciente. As principais abordagens incluem:
- “Cirurgia para retirada parcial ou total da tireoide”;
- “Iodoterapia em casos selecionados”;
- “Reposição hormonal com levotiroxina;”
- “Acompanhamento com exames laboratoriais e ultrassom”.
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