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a Baixada Fluminense para uma das vozes mais promissoras do rap nacional, SHURY SHURY faz questão de transformar cada experiência vivida em música, mesmo
quando elas vêm de lugares dolorosos.
Em entrevista à CAPRICHO, a artista carioca abriu o coração sobre o processo de criação de Código de Rua, seu primeiro EP, falou sobre a dualidade entre Sabrina e SHURY e refletiu sobre o espaço que mulheres pretas e periféricas vêm conquistando dentro do rap.
Com uma estética que mistura boom bap, funk, trap e rap de protesto, Código de Rua funciona quase como um diário musical da artista. As cinco faixas mergulham em temas como violência, amor, amizade, fé e sobrevivência, tudo atravessado pelas vivências de quem cresceu na Baixada. E, para SHURY, separar a artista da mulher por trás dela nunca foi o objetivo.
“Eu sempre me apresentei para as pessoas como SHURY, mas eu nunca falei da Sabrina abertamente”, contou à CH. “Eu queria que as pessoas conhecessem mais da Sabrina. Não quero diferenciar porque eu acho que uma complementa a outra. A Sabrina é uma escada para a SHURYacontecer.”
A conexão da rapper com a música vem desde a infância. Ela relembra que suas primeiras referências nasceram dentro de casa, principalmente pela influência da mãe e dos tios que ouviam rap nos encontros de família. “Minha primeira referência na vida é a minha mãe. Ela veio do charme e sempre tentou manter eu e meu irmão conectados com a arte”, disse. Entre os sons que marcaram sua formação estavam nomes como Racionais MC's, Nega Gizza e Kmila CDD.
O próprio nome artístico também carrega uma referência afetiva e pop. A rapper contou que a ideia surgiu depois de assistir ao filme Pantera Negra. “As pessoas sempre falaram que eu parecia muito com a Shuri”, explicou, citando a personagem da franquia da Marvel. “Eu sempre gostei da personagem também. E aí adaptei esse nome para mim.”
Apesar de estar oficialmente na estrada há cinco anos, SHURY já coleciona momentos importantes na carreira — incluindo colaborações com LARINHX e participações em plataformas internacionais como o On The Radar Radio. Mas um dos momentos que mais mexeram com ela veio justamente do reconhecimento dentro da cena nacional. “Nunca pensei que o Mano Brown estaria vendo meu trabalho”, revelou.
A artista também falou sobre o carinho do público por Sacanagem, seu primeiro lançamento. “A galera canta até hoje. Envelheceu como vinho na boca das pessoas”, brincou.
Ao longo da conversa, SHURY fez um faixa a faixa de Código de Rua e explicou como cada música nasce de experiências reais. Do Lado de Cá, parceria com MC Martina, foi pensada para abrir o EP de maneira intensa e política. “Eu queria trazer uma realidade mais crua sobre onde eu vim e transformar isso em uma mensagem coletiva”, contou.
Já Os 100 surgiu a partir de um episódio delicado da vida da artista, quando ela precisou provar sua inocência após ser acusada injustamente de algo que não havia feito. “Ser acusada de uma coisa que você não fez é muito ruim, mas eu transformei isso em arte”, disse.
Mesmo trazendo temas pesados, o EP também abre espaço para amor, amizade e celebração. Em Porradeiro Frenético, SHURY quis mostrar que pessoas periféricas também vivem romances e momentos leves. Enquanto A Melhor, faixa que encerra o projeto, mergulha diretamente no funk e nas memórias dos rolês com amigas na favela onde cresceu.
Para ela, a nova geração de mulheres do rap está ocupando espaços historicamente negados — e isso vai muito além de tendência. “Quando uma mulher periférica como eu sobe no palco, ela tá abrindo caminho para outras também”, declarou. “A gente entrega excelência e não faz um show meia boca.”
SHURY também questionou o uso frequente do termo “rap feminino” para categorizar artistas mulheres. “A gente não costuma falar que existe rap masculino”, pontuou. “Parece que o termo é para tirar a gente do ponto central do movimento cultural, mas a gente sempre pertenceu à cultura.”
Com personalidade forte, carisma de sobra, letras confessionais e uma estética que transforma realidade em arte sem filtro, SHURY está vivendo exatamente o momento que o rap brasileiro precisava ouvir e prestar atenção.
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