Tem gente que ainda trata cólica menstrual como “drama” ou algo que toda pessoa precisa simp
em gente que ainda trata cólica menstrual como “drama” ou algo
que toda pessoa precisa simplesmente aguentar. Mas os números mostram uma realidade que é dramática, mas que passa bem longe da ideia de "frescura": dores menstruais impactam diretamente a vida escolar de milhares de jovens no Brasil.
Preste atenção: 4 em cada 10 estudantes brasileiras já faltaram às aulas por causa de sintomas relacionados à menstruação. Além das faltas, muitas relatam dificuldade de concentração, cansaço extremo, alterações emocionais e queda no rendimento escolar.
Os sintomas menstruais podem provocar até dois dias de ausência por mês na escola, o que acaba afetando aprendizado, socialização e participação escolar ao longo do ano letivo.
Os dados são de pesquisa realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info. Hoje, quinta-feira (28), é considerado o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, em que são feitas ações com o objetivo de combater o estigma e a pobreza menstrual.
Embora a menstruação faça parte da vida de milhões de pessoas, falar sobre o assunto ainda é cercado de tabu - e você, leitor e leitora de CAPRICHO, já deve ter evitado alguma conversa sobre isso por vergonha, né? E isso pesa especialmente para adolescentes, que muitas vezes convivem com dores intensas sem acolhimento, diagnóstico ou informação adequada.
O levantamento foi feito em fevereiro deste ano com 2.551 estudantes – sendo 770 estudantes que menstruam –, 303 docentes e 181 gestores escolares, das redes pública e privada de ensino de todas as regiões do país.
E a cólica foi mencionada como o maior motivo (58%) de ausência no ambiente escolar. Mas esse não é o único motivo relacionado à menstruação, olha só:
- cansaço e dores no corpo, citado por 30,1% das entrevistadas;
- dores de cabeça (28%);
- dor de barriga, por 20,1%;
- vergonha e medo de vazamento, por 19,3%;
- falta de banheiro ou produtos de higiene, por 8,2%.
Nos últimos anos, especialistas têm chamado atenção para o fato de que sintomas menstruais incapacitantes não devem ser normalizados. Cólicas muito fortes, desmaios, náuseas, fluxo intenso ou dores que impedem atividades básicas podem ser sinais de condições como endometriose ou dismenorreia. A gente já falou sobre isso aqui, lembra?
Outro ponto importante envolve o constrangimento. Muitas estudantes relatam vergonha de pedir ajuda, medo de vazamentos, falta de estrutura nos banheiros escolares ou receio de não serem levadas a sério quando dizem que estão com dor.
A conversa sobre saúde menstrual também ganhou força recentemente dentro das discussões sobre saúde pública. Em maio, o Ministério das Mulheres anunciou um webinário nacional voltado à dignidade menstrual no ambiente escolar, buscando ampliar informação e acolhimento sobre o tema.
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