Adecisão de fazer um intercâmbio pode significar a realização de um sonho, mas às vezes também vem acompanhada de medos, como o de ficar longe da família,
o de não conseguir se comunicar em outro idioma e o de estar sozinho em um país que não é o seu. O que muda esses sentimentos e transforma a experiência, porém, são as amizades que você com certeza vai fazer ao longo do caminho.
A CAPRICHO viu de perto essa realidade dos intercambistas no Campus da escola de idiomas EF Nova York*. "O maior desafio é ficar longe da minha família. Mas vale muito a pena, porque no intercâmbio você encontra pessoas que estão passando pela mesma situação que você, e aí tudo fica mais fácil", relata Isabelle Gabi, de 18 anos, estudante do programa de preparação para universidades dos Estados Unidos e Canadá, à nossa reportagem.
Como as amizades podem transformar sua experiência de intercâmbio
Quando os amigos viram uma família longe de casa
Se você mora em uma cidade diferente dos seus familiares no Brasil, provavelmente já sente que seus amigos são a família que você escolheu, mas em um intercâmbio para fora do país esse sentimento se intensifica ainda mais. Estudar, compartilhar refeições, passar horas conversando nos espaços de convivência, praticar esportes, dividir as inseguranças... Fazer tudo isso junto aproxima os estudantes em um curto período de tempo.
"Ao encontrar amigos, você acaba formando a sua própria família aqui", afirma Ramon Godoi, de 23 anos, que fez um curso de 6 meses focado em inglês para negócios.
Quando alguém entende exatamente os desafios e preocupações que você está enfrentando, a adaptação fica menos assustadora e o acolhimento surge de forma natural.
Conhecer novas culturas
Mas as amizades construídas durante um intercâmbio significam mais do que um apoio emocional. Elas funcionam como uma porta de entrada para outras culturas, e esse contato com diferentes realidades também faz parte de uma 'família de amigos'.
Para Ramon, um dos momentos mais marcantes foi perceber a diversidade ao seu redor. "Você senta para jantar com um asiático, um europeu, um latino... Todo mundo na mesma mesa conectado por uma língua só."
E, assim, o convívio desmistifica estereótipos e dá espaço para novas perspectivas. "Às vezes, a gente tem esse preconceito de que o pessoal de outros países é muito diferente, que eles não vão ser tão abertos quanto os brasileiros. Mas tem vários que são", conta Manoella Hurtado, de 18 anos, que fez o curso de três meses focado em inglês.
Para o mexicano Luiz Martínez, de 21 anos, que foi aluno do programa preparatório para universidades e já está estudando na Pace University, em Nova York, essa troca vai além do aprendizado cultural e se relaciona com quem você é. "A palavra que eu usaria para descrever a minha experiência aqui seria conectado. Conectado aos meus amigos, conectado ao mundo em que vivo, conectado com o que eu queria quando era criança, mas também conectado à criança que eu fui."
A parte mais difícil é ir embora
Enquanto no começo o medo de ficar sozinho pode tomar conta, no final do intercâmbio o que dói no coração é se despedir. Depois de tanto tempo compartilhando a rotina, a galera volta para diferentes cidades, países e continentes, e nesse momento você percebe como as conexões que construiu são especiais.
Mas é claro que já rolam planos para reencontrar as pessoas, além da certeza de que você tem laços e companhias em diferentes lugares do mundo. "Eu fiz uma amiga muito próxima da Holanda. Ela foi embora e já mandou mensagem que vai para o Brasil em julho me visitar", conta Manoella.
A despedida se torna ainda mais dolorida porque as amizades deixam marcas profundas, inclusive na sua autoestima. Para Manoella, os amigos que encontrou pelo caminho tiveram papel importante na confiança que desenvolveu durante a experiência. "Eu sou muito introvertida. Em São Paulo, eu não tenho tantos amigos. Agora, eu tenho a confiança de que consigo fazer amizades, de que as pessoas podem gostar de mim."
O intercâmbio pode começar como uma oportunidade para aprimorar um idioma ou até entrar em uma universidade fora do país, mas, para além disso, uma das lembranças mais valiosas é justamente uma que fica fora do currículo, as amizades construídas pelo caminho e como elas transformam a experiência.
*CAPRICHO viajou ao Campus EF Nova York a convite da EF Brasil.
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