Abrir o TikTok e dar de cara com um vídeo explicando a escala 6x1 ou os desdobramentos de uma gu
brir o TikTok e dar de cara com um vídeo explicando a escala
6x1 ou os desdobramentos de uma guerra do outro lado do mundo não é mais raridade. Mas, em um mar de vídeos rápidos e cortes editados para viralizar, o quanto a gente realmente está aprendendo? Para a Geração Z, o acesso à informação nunca foi tão fácil e, ao mesmo tempo, a sensação de compreender o que está acontecendo nunca pareceu tão distante.
Essa contradição é o que move Gustavo Lillis, de 19 anos. Estudante de jornalismo e criador de conteúdo, ele começou a gravar vídeos na adolescência para vencer a timidez e encontrar pessoas que, como ele, sentissem falta de discutir sociologia e antropologia no intervalo da escola. Hoje, o jovem observa que a internet, embora democrática, acabou resumindo demais assuntos que exigem profundidade.
"Ontem mesmo, eu li uma frase bastante interessante do Fisher [Mark Fisher, pensador contemporâneo, morto em 2017]: ‘os jovens querem ler Nietzsche como se fossem pedir um hambúrguer’, ou seja, querem as coisas muito fáceis. E essa é uma questão que a internet piorou. Tudo bem que tem a vantagem de ser cada vez mais democrático, só que deixou temas complexos de uma forma muito simplista e pouco explicada".
O fenômeno do “Realismo Capitalista” na juventude
Se antes a juventude era sinônimo de revolução e pé na porta, hoje o cenário é mais complexo. Existe um desânimo que vai além da preguiça: é uma sensação de que as estruturas do mundo são imutáveis.
Gustavo cita o conceito de Mark Fisher, Realismo Capitalista, para explicar porque parte da juventude sente que protestar ou votar não faz tanta diferença. É como se fosse mais fácil imaginar o fim do mundo do que uma mudança real no sistema.
Essa percepção afeta diretamente o interesse por política. Lillis acredita que a nova geração não é desinteressada por natureza, mas desacreditada das formas atuais de participação.
"Por conta desse realismo que já bateu na cabeça deles, os jovens se sentem incapazes de fazerem parte de um movimento político e mudar o que está acontecendo em suas vidas ou até na vida de outros. Eles se sentem desencorajados."
A armadilha do engajamento e a bolha da polarização
Nas redes sociais, o que engaja é o grito, a ironia e o lado bem definido. Vídeos sobre o governo atual ou figuras polêmicas costumam performar muito melhor do que uma aula sobre a história das castas na Índia. O desafio de quem produz material sério é justamente fugir da "ditadura do algoritmo", que privilegia o embate emocional em vez do contexto histórico.
Gustavo conta que recebe muitos feedbacks positivos justamente por não apostar em publicações puramente ideológicas, mas por trazer dados que ajudem o público a desenvolver o próprio discernimento. E saber que suas análises foram úteis para alguém deu um novo sentido ao que antes era apenas um exercício para treinar a fala e a concentração.
"O pessoal que comenta normalmente fala isso: ‘Pô, seu conteúdo tá me ajudando muito a entender algumas coisas e tal’. Ano passado, uma pessoa falou que citou alguns vídeos que eu tinha feito sobre a guerra do Paraguai no vestibular. Eu fiquei muito feliz com isso."
Filtro necessário: cuidado com o que você consome
Com o avanço da Inteligência Artificial e a velocidade das redes, a saúde mental e a capacidade crítica acabam sendo as primeiras vítimas. Lillis, que chegou a abandonar plataformas que lhe causavam ansiedade pelo excesso de estímulos, reforça que uma das principais ferramentas políticas da juventude hoje é o cuidado com aquilo que consome.
Seja influenciando a própria família a questionar mensagens de grupos de WhatsApp ou ajudando seguidores a entender que tudo possui diferentes camadas, o objetivo central é não aceitar nada pronto sem antes pesquisar:
"Então, acho que o principal de tudo hoje, até relacionando ao meu conteúdo e às pessoas que me acompanham é tomar cuidado com o que você vê. Se você tiver tempo, pesquise tudo.. Eu não vejo mais o Twitter, porque me dava muita ansiedade, chegava muita informação e muita coisa inútil. E uma coisa que eu senti quando desinstalei, foi que às vezes eu falava de coisas que eu não tinha o menor conhecimento sobre. Então, as pessoas de hoje têm que tomar cada vez mais cuidado, principalmente as mais velhas, que vão cair muito na inteligência artificial."
A política e a história continuam acontecendo a cada segundo. A diferença é que, agora, o papel da nova geração não é apenas consumir o que aparece na tela, mas buscar o que existe por trás do meme ou da manchete polêmica.
Fique de olho no CH na Eleição
Se você acompanha a CAPRICHO, certamente se lembra que em 2022 demos início a um projeto muito especial, chamado CH na Eleição. Durante um dos anos mais complexos no universo da política institucional, nós cobrimos não só debates entre candidatos, como também te explicamos o contexto de muita coisa que estava rolando e parecia complexo demais para entender.
Explicamos desde porque é importante votar, mesmo se para você ainda não é obrigatório; além de como funciona o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porque a urna eletrônica é segura e exemplo para o mundo e até como conversar com seus pais sobre política, mesmo caso vocês pensem diferente sobre o assunto.
E não era para menos, né? Ali, naquele ano, tivemos um recorde: o país ganhou mais de 2 milhões de novos eleitores entre 16 e 18 anos. Segundo informações do TSE, esse número representa um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período em 2018 e de 57,4% em relação a 2014 (nesses dois outros anos nós também fomos às urnas).
Em 2026, todo o país vai às urnas novamente para eleger Presidente, Governador, Deputado Federal e Estadual, além de Senadores. E, com isso, o CH na Eleição voltou para te contar tudo o que importa, desviar de fake news e ficar bem informado em um contexto que promete muitas emoções, viu?
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