Nos últimos meses, o K-pop tem vivido uma virada silenciosa, mas profunda. Se por anos o sistema de treinamentos sul-coreano foi marcado pelo controle
rígido das grandes agências, agora uma nova geração de artistas começa a redesenhar esse modelo, apostando em mais liberdade criativa e até mesmo na criação das próprias empresas. O resultado? Um cenário mais fragmentado e imprevisível, porém muito mais interessante.
O adeus às grandes agências
Um dos movimentos mais emblemáticos dessa nova fase veio de Lucas, ex-integrante do NCT. Em abril de 2026, ele deixou a SM Entertainment, tornando-se mais um nome de peso a romper com uma das maiores empresas do setor. A saída não é um caso isolado, ela ecoa um movimento crescente de idols que preferem assumir o controle da própria carreira, mesmo que isso signifique abrir mão da estrutura gigantesca que as chamadas Big 4 (HYBE, JYP, SM e YG Entertainment) oferecem. O mesmo já aconteceu antes com outros nomes, como Taemin e Onew, do SHINee, Wendy e Yeri, do Red Velvet, e algumas integrantes do Girls' Generation, que também encerraram seus contratos individuais com a gravadora.
Carreira solo como caminho
A decisão de Heeseung de deixar o grupo ENHYPEN, que se apresenta pela primeira vez no Brasil este ano, em março de 2026 reforça essa tendência. Pegando os fãs de surpresa, o artista anunciou carreira solo, motivado por uma “visão musical própria”, algo que nem sempre encontra espaço dentro de grupos altamente formatados.
Esse tipo de movimento marca outra onda importante: a carreira solo deixou de ser um plano B e se tornou um objetivo central para alguns artistas. Diferente de gerações anteriores, onde sair do grupo era quase sinônimo de crise e de ir para a geladeira, hoje pode significar evolução. Basta ver o que aconteceu com Wonho, do Monsta X.
Disputas contratuais ganham visibilidade
Enquanto alguns saem, outros lutam para redefinir suas condições. O caso do THE BOYZ, que enfrenta uma batalha judicial para rescindir seu contrato com a ONE Hundred, evidencia uma postura menos submissa dos astros.
Essa reação não surge do nada. Historicamente, contratos longos e restritivos sempre foram alvo de críticas, um problema que remonta a disputas antigas dentro da própria SM Entertainment, acusada por artistas de condições desproporcionais. Ao longo dos anos, Kris, Tao, Luhan, Baekhyun, Chen, Xiumin, D.O. e Lay, do grupo EXO, entraram com ações legais contra a empresa pedido o fim dos contratos e alguns até conseguiram o direito de permanecer na formação do conjunto.
A diferença agora é que esses conflitos deixaram de acontecer nos bastidores e passaram a ocupar o centro da narrativa, como é o caso do NewJeans. Poucos exemplos ilustram tão bem essa transformação quanto o grupo feminino lançado em 2022 pela ADOR, uma subsidiária da HYBE. Elas estavam no ápice do sucesso global, quando uma polêmica sobre controle criativo, independência e até tentativas de desvincular o grupo da empresa fez o quinteto ir parar nos tribunais. Mais do que uma briga corporativa, o caso expôs um debate estrutural: quem realmente controla a identidade artística de um grupo?
Após meses na justiça, a gravadora anunciou o retorno de quatro integrantes, mas decretou o fim do contrato com exclusivo de Danielle. "No caso de Danielle, determinamos que seria difícil continuar juntos como integrante do NewJeans e artista da Ador e, hoje, notificamos a rescisão de seu contrato exclusivo. Além disso, planejamos buscar responsabilização legal contra um membro da família de Danielle e a ex-CEO Min Heejin, que têm responsabilidade significativa por desencadear esta disputa e pela saída e retorno atrasado do NewJeans."
Chefe de si-mesmo
Se antes os artistas dependiam das agências, agora muitos estão fundando as próprias. As integrantes do BLACKPINK são o exemplo mais emblemático. Após renovarem parcialmente suas atividades em grupo, Lisa, Jisoo, Jennie e Rosé passaram a investir em carreiras solo geridas por suas próprias agências. Esse visão redefine completamente a lógica da indústria. Não se trata apenas de cantar ou performar, mas de gerir a marca pessoal, sua imagem e elaborar estratégias de mercado.
Outras saídas chocantes que marcaram a cena
A saída de Kim Jae-joong, Kim Junsu e Park Yoochun do TVXQ é considerada um divisor de águas. O trio entrou na justiça contra a SM Entertainment alegando contratos abusivos, o que levou à paralisação do grupo e à criação do JYJ.
O desligamento repentino de Jessica Jung do Girls' Generation causou começão na época. A artista alegou ter sido forçada a sair, enquanto a agência apontava conflitos de agenda. Até hoje, um dos casos mais controversos.
Quando HyunA e Dawn confirmaram que estavam namorando, a Cube Entertainment decidiu expulsá-los. A reação negativa do público acabou levando à saída definitiva dos dois artistas e uma queda brusca nas ações da empresa.
B.I teve que deixar o iKON após acusações envolvendo drogas, mesmo sendo o principal produtor do grupo. A decisão impactou diretamente a identidade musical do conjunto.
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