O
cancelamento do show do grupo XLOV, que aconteceria em São Paulo no último domingo (03), gerou frustração entre fãs — e impactou diretamente o influenciador
Ismael Serafim, também conhecido por sua drag Ismeiow. Presente no local, ele usou as redes sociais para comentar o adiamento e acabou se tornando alvo de críticas e ataques.
A apresentação, que ocorreria no Tokio Marine Hall, foi cancelada pouco antes do horário previsto. Segundo a produtora responsável, o adiamento aconteceu por problemas relacionados ao visto de um dos integrantes e questões de segurança do local. Já os membros do grupo afirmaram, em live, que estavam prontos para se apresentar mesmo sem um dos colegas, mas foram impedidos. Você pode ler mais sobre o caso aqui.
Após reagir à situação no X (antigo Twitter), Ismeiow recebeu comentários negativos e decidiu se pronunciar. Em um story, ele explicou que vinha se aproximando do universo do k-pop recentemente, mas que a repercussão o fez repensar essa exposição pública.
Em entrevista à CAPRICHO, o influenciador, drag queen e youtuber falou abertamente sobre a decisão de não comentar mais sobre k-pop em suas redes sociais depois de receber os ataques.
Na avaliação dele, parte desse comportamento pode estar ligada ao perfil de uma parcela dos fãs. “A maior parte das fanbases é integrada por adolescentes”, disse. “Nem todas as fãs são assim, óbvio. Mas algumas não têm dimensão de que muitas coisas que falam são extremamente pesadas.”
Ele também aponta que esse tipo de reação pode acabar afastando novos públicos — inclusive de grupos que, segundo ele, propõem justamente o contrário dentro da indústria. Ao comentar sobre o XLOV, Ismeiow destacou o caráter mais disruptivo do grupo em relação a padrões tradicionais do k-pop. “É curioso ver como fãs de um grupo tão disruptivo podem ser tão conservadoras”, refletiu.
Para o criador, o episódio marcou uma ruptura em relação à forma como compartilha aspectos da própria vida. Acostumado a falar abertamente sobre seus interesses, de Minecraft e Stardew Valley a Dua Lipa —, ele afirma que nunca havia sentido necessidade de se preservar nesse nível.
“Nenhuma dessas comunidades foi hostil comigo a troco de nada. Mas é só no k-pop que acontece isso (...) Agora eu preciso fazer uma prova, uma análise da minha vida, pra comprar um ingresso de um show de um grupo que eu gosto?", diz.
Agora, a escolha é outra. Embora continue ouvindo os artistas que gosta, Ismeiow afirma que esse interesse não fará mais parte do conteúdo que publica. “Não vou deixar de gostar, mas se falar sobre isso está me trazendo algo negativo, não é algo que eu quero”, explicou. “Eu não estou me sentindo bem-vindo.”
A decisão, segundo ele, não passa por abandonar o gênero, mas por preservar o próprio bem-estar em um ambiente que considera “inflamado”. “Se eu gostar de alguma coisa, eu vou fazer isso pra mim. Não vou fazer pros outros”, concluiu.
Com formação musical desde a infância — incluindo experiências com canto e instrumentos como flauta doce e violoncelo —, ele conta que sempre escutou diversos gêneros. O contato com o k-pop, porém, aconteceu de forma mais próxima há menos de um ano, impulsionado por pessoas do seu convívio. “Eu até hoje não me considero fã de k-pop, né? Eu sempre me defini mais como fã de música”, explicou.
Mesmo sem se identificar como parte ativa de um fandom, ele passou a acompanhar alguns grupos e incorporar esse interesse ao seu dia a dia. “Hoje em dia, o meu grupo favorito é XG”, revelou, citando também nomes populares como BTS, BLACKPINK, Stray Kids e o próprio XLOV entre os que costuma ouvir.
O episódio levanta discussões mais amplas sobre os limites entre engajamento e hostilidade nas redes sociais e sobre como a dinâmica de alguns fandoms pode impactar não só novos fãs, mas também criadores que tentam se aproximar desse universo.
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