Otão esperado retorno de Ariana Grande aos palcos, após sete anos desde o fim de sua última turnê, aconteceu na noite deste sábado (6) em Oakland, nos Estados
Unidos, com a eternal sunshine tour. A expectativa entre os fãs era grande não só pela ansiedade de rever sua artista favorita performando músicas que marcaram momentos inesquecíveis, mas também para dar uma resposta direta e definitiva a todas as pessoas que vinham questionando a cantora nos últimos anos — parece que, em parte, ela também quis fazer isso.
Desde seu envolvimento com Wicked e o tempo dedicado aos ensaios, filmagens e divulgação dos dois filmes, Grande vem recebendo comentários de que seguidores "preocupados de que ela iria abandonar a música", de que ela teria perdido a essência e a "persona de diva pop" que vinha cultivando ao longo dos anos e de que, por culpa da prepação para o papel de Glinda, ela teria "desaprendido" a cantar como antes e não conseguiria performar como nas turnês anteriores.
Após se apresentar no Met Gala de 2024, ela chegou a responder a estes comentários em um post no Instagram, dizendo que é "muita ingenuidade da parte de vocês presumir que, só porque estou atarefada com muitas coisas, pretendo abandonar o canto e a música". Um ano antes, ela já havia postado um vídeo, escondendo o cabelo loiro de Glinda, cantando Somewhere Over the Rainbow, provando que a música ainda está presente em sua vida.
Mas nenhum desses momentos foi uma réplica tão contundente e certeira quanto a eternal sunshine tour. A capacidade vocal de Grande, que parece ter sido ainda mais ampliada e amadurecida com os anos e com a prática intensa, seria suficiente para provar que ela conseguiria guiar o show inteiro somente com sua voz. Ao invés disso, ela quis criar um espectáculo imersivo que colocasse os fãs dentro do universo que ela explorou no curta-metragem brighter Days Ahead.
Nele, ela cria sua própria clínica que apaga memórias que já havia aparecido no clipe de we can't be friends — uma referência direta ao filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004) e se coloca como a personagem Peaches, já idosa, indo reviver lembranças que foram guardadas.
O próprio palco central é uma casa quebrada, que no curta passa por uma inundação e depois é incendiada. As rachaduras, contudo, abrem espaço para o nascimento de flores, em uma referência ao novo álbum, Petal, que narra a trajetória da cantora florescendo de um espaço que parecia quebrado e sem vida.
Um dos momentos mais emocionantes e impactantes também replica uma cena do curta-metragem e da capa do brighter days ahead. No último momento do show, Grande se posiciona no meio de seus dançarinos no final da passarela e, ao som de supernatural, é elevada ao topo da arena como se estivesse sendo abduzida, como acontece no filme.
Ao longo das 23 músicas, a cantora dedicou mais espaço às do álbum que carrega o nome da turnê — cantando todas as cinco do deluxe de eternal sunshine —, o que deve mudar assim que Petal for lançado, no dia 31 de julho. Já no restante da setlist, Grande pareceu acolher versões dela mesma que ou não tinham tanta atenção, ou foram ressignificadas para quem ela é agora. A única exceção é o álbum Sweetener, que não foi incluido na lista, o que deixou os fãs frustrados.
Mas escolha de cantar três músicas de Positions, por exemplo, é um dos maiores movimentos de acolhimento, já que boa parte da divulgação do álbum foi descartada na época do lançamento, em 2020, após críticas dos fãs. Dos álbuns Thank You Next, Dangerous Woman e My Everything, ela performou duas músicas, e do Yours Truly, seu debut, uma das preferidas dos fãs, Honeymoon Avenue.
Uma canção que foi muito significativa para os fãs foi One Last Time, que não era cantada por Grande desde 2017 no One Love Manchester. No show, feito em homenagem às 22 vítimas do atentado que aconteceu durante a turnê de Dangerous Woman, a música se tornou uma espécie de tributo tanto aos que se foram, quanto aos familiares.
O concerto beneficente também foi lembrado nos visuais que apareceram no telão, em um momento em que Grande, ao lado da sua versão criança, anda pela clínica das lembranças e revê suas antigas versões. Em uma delas, ela está com a mesma roupa usada no evento.
260606 one last time #eternalsunshinetour pic.twitter.com/hOL7YdtQfA
— manam (@renve81) June 7, 2026
ARIANA GRANDE COMPETINDO COM A GUITARRA DURANTE DANGEROUS WOMAN #eternalsunshinetour
pic.twitter.com/6DW6yZfQYE
— Info Ariana (@infoari) June 7, 2026
Falando em roupa, Grande usou ao todo seis figurinos, que abusaram de renda, de referências ao balletcore e ao gótico para fazer jus a estética de eternal sunshine, que mescla um visual romântico, assombrado, de fada e idílico. Com peças exclusivas da Givenchy e saltos da Louboutin, a cantora parece confiante e segura na própria pele, mesmo quando está içada no ar ou em cima de um salto fino que parece ter mais de 15 centímetros.
Visualmente, ela brinca com referências que lembram a versão de uma diva pop que ela já foi, enquanto constrói no palco, a sua própria diva pop, do jeito que ela quer e se sente confortável — incluindo cantando sucessos memoráveis como Thank You, Next, com o coque de cabelo que foi tão criticado pelos fãs durante a divulgação de Wicked.
A cantora mostra que, de coque, com o rabo de cavalo, com máscara de gato, chicote, vestido angelical branco, botas pretas, saltos de bailarina, ela ainda é a mesma, e pode se reinventar quantas vezes quiser, trazendo o que mais ama para perto. Tanto é que ao dizer ao público "é bom ver a gente, não é?" ou colocar a mão na testa e acenar, referências à Glinda, ela lembra que essa é a casa dela, e ela não vai deixar de lado nenhuma parte de si por ninguém.
+ Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.











