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internet, que deveria ser espaço de troca, expressão e descob
internet, que deveria ser espaço de troca, expressão e descoberta, tem se tornado um ambiente
hostil para muitas meninas no Brasil. Uma pesquisa recente do Instituto Serenas, chamada Livres para Sonhar?, Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas, revela que a violência online é uma realidade frequente na vida delas e com impactos profundos na saúde mental e na forma como elas ocupam o digital e o ambiente escolar.
E o assunto não é novo: reportagem da CAPRICHO, publicada na revista impressa, já mostrou que até em grupos que parecem inofensivos o mal chega; além disso, casos recentes, como o de estudantes do Colégio São Domingo que mantinham um grupo para qualificar suas colegas meninas como "estupráveis" ou não e usar figurinhas do empresário acusado de assédio, Jeffrey Epstein.
"No Brasil, a relação entre violência de gênero e ambiente escolar ainda não é evidente para a maioria dos governos e organizações. Muitas vezes, essa pauta é considerada secundária, já que os indicadores educacionais costumam mostrar que meninas têm desempenho escolar superior ao dos meninos", afirma introdução da pesquisa do Instituto.
Segundo o levantamento, os casos mais comuns envolvem assédio sexual, xingamentos, exposição de imagens sem consentimento e perseguição online. Essas situações acontecem principalmente em redes sociais e aplicativos de mensagem, muitas vezes em grupos de escola ou conversas privadas entre colegas.
"O que esses dados não revelam é o custo emocional, social e subjetivo que muitas meninas enfrentam para permanecer estudando — e o quanto a violência impacta o bem-estar de toda a comunidade escolar. Nosso objetivo é contribuir para que essa relação se torne inegável", complementa o texto.
Outro dado importante é que os agressores nem sempre são desconhecidos. Em muitos casos, são colegas de classe, pessoas do convívio escolar ou ex-parceiros, o que torna a situação ainda mais complexa e emocionalmente desgastante, aponta o estudo.
Os alunos do colégio localizado na zona oeste de São Paulo foram suspensos. Em nota à imprensa, a instituição afirmou que as mensagens foram compartilhadas em grupos não institucionais e afirmou que mobilizou equipe pedagógica para lidar com a situação. Entre as ações, segundo a escola, estão a escuta e acolhimento das estudantes, com os alunos envolvidos e com seus familiares.
O estudo destaca que a violência digital não está separada da vida offline. Pelo contrário: conflitos que começam na escola frequentemente continuam nas redes, ampliando o alcance dos ataques e dificultando que as vítimas encontrem um espaço seguro.
Os impactos vão além da tela
Ansiedade, medo, vergonha e insegurança estão entre os sentimentos mais relatados no estudo. Como consequência, muitas meninas passam a se autocensurar, evitam participar de interações online e até se afastam de grupos, inclusive os escolares.
Apesar da frequência dos casos, a maioria das vítimas não denuncia. Entre os motivos estão o medo de retaliação dentro e fora da escola, a falta de confiança nas plataformas e a sensação de que nada será resolvido.
A pesquisa também aponta que meninas negras e LGBTQIA+ enfrentam formas ainda mais intensas de violência digital, muitas vezes combinando ataques racistas, machistas e homofóbicos.
A solução? Para a pesquisa, o caminho passa por mudanças urgentes: mais segurança nas plataformas digitais, respostas rápidas às denúncias e, principalmente, ações dentro das escolas. Entre elas: educação digital, acolhimento e protocolos para lidar com a violência que começa na sala de aula e se espalha pelas redes.
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