E
m um cenário dominado por franquias milionárias e grandes blockbusters, dois filmes de terror provaram que uma boa história (e uma legião de fãs online)
ainda podem fazer a diferença. Em 2026, Backrooms: Um Não-Lugar e Obsessão conquistaram as bilheterias ao redor do mundo e mostrando que Hollywood está cada vez mais atenta aos talentos surgidos na internet.
Juntos, os dois longas arrecadaram centenas de milhões de dólares globalmente e ajudaram a consolidar uma das maiores tendências recentes do cinema de terror depois do sucesso de Fale Comigo em 2022: produções de orçamento enxuto, comandadas por criadores que começaram suas carreiras no YouTube.
O sucesso inesperado de Backrooms
A adaptação da famosa lenda urbana digital que surgiu em fóruns da internet se tornou um fenômeno entre os fãs de creepypastas. O filme é dirigido por Kane Parsons, cineasta de apenas 20 anos que ganhou notoriedade ao transformar o universo das Backrooms em uma série de curtas de sucesso no YouTube.
Produzido pela A24, o longa arrecadou cerca de US$ 118 milhões em sua estreia mundial e superou com folga as previsões do mercado. Apenas nos Estados Unidos, o filme faturou mais de US$ 80 milhões no primeiro fim de semana, tornando-se a maior estreia da história do estúdio.
A trama acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor de móveis que descobre um portal escondido no porão de sua loja. A passagem leva às Backrooms, um espaço extradimensional formado por corredores intermináveis, salas vazias e uma atmosfera inquietante. Conforme o personagem mergulha nesse labirinto aparentemente infinito, ele passa a enfrentar distorções da própria memória e perigos cada vez mais difíceis de compreender.
Misturando terror psicológico, ficção científica e horror cósmico, o filme explora temas como solidão, isolamento e a relação entre realidade e lembranças. O resultado é uma experiência que conversa diretamente com uma geração acostumada a consumir histórias assustadoras na internet.
Quando o amor vira pesadelo em Obsessão
Se Backrooms nasceu de uma lenda urbana digital, Obsessão encontrou força em uma premissa igualmente perturbadora. Dirigido por Curry Barker, outro criador que construiu sua carreira produzindo conteúdo online, o filme acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem que deseja que sua melhor amiga, Nikki (Inde Navarrette), se apaixone por ele. Para isso, ele utiliza um objeto amaldiçoado capaz de realizar um único desejo.
O que inicialmente parece a realização de uma fantasia romântica rapidamente se transforma em um pesadelo. Nikki desenvolve uma obsessão extrema por Bear e passa a controlar todos os aspectos de sua vida, levando a situações cada vez mais violentas e assustadoras. Por trás dos sustos, o longa utiliza elementos sobrenaturais para discutir temas como controle, dependência emocional e os perigos de transformar outra pessoa em objeto de uma idealização.
Com orçamento estimado em menos de US$ 1 milhão, Obsessão já ultrapassou US$ 148 milhões em arrecadação mundial. O desempenho impressiona ainda mais porque o filme conseguiu algo raro na indústria atual: aumentar seu público semana após semana, em vez de sofrer quedas após a estreia.
O YouTube virou uma nova fábrica de diretores
O sucesso de Backrooms e Obsessão reforça uma mudança importante em Hollywood. Nos últimos anos, grandes estúdios passaram a enxergar o YouTube como um espaço para descobrir novos cineastas.
Kane Parsons e Curry Barker seguem os passos de outros criadores que fizeram a transição da plataforma para o cinema. Casos como os irmãos Danny e Michael Philippou, responsáveis por Fale Comigo, e David F. Sandberg, diretor de Quando as Luzes se Apagam e Shazam!, mostram que essa tendência está longe de ser passageira.
A própria indústria parece ter entendido que o público jovem está cada vez mais interessado em histórias originais e conceitos nascidos na internet. E o terror tem sido o gênero perfeito para essa transformação, já que permite produções relativamente baratas e alto potencial de retorno financeiro.
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