Algumas conversas parecem simples, mas, quando chegam na vida real, podem virar um território ch
lgumas conversas parecem simples, mas, quando chegam na
vida real, podem virar um território cheio de dúvidas, especialmente quando envolve sexualidade, limites do corpo e consentimento. Nem sempre é fácil conversar sobre esses assuntos dentro de casa, com pais e responsáveis.
Pensando em facilitar essa conversa, o Boticário criou um movimento chamado “É Meu”. A iniciativa, que nasceu nesse mês de maio, busca apoiar famílias a abordarem esses temas de forma mais natural no dia a dia, com conteúdos educativos e recursos lúdicos para abrir espaço para a conversa. E você deve estar se perguntando: tá, CAPRICHO, mas como fazer isso?
A proposta parte de uma questão que continua aparecendo em diferentes pesquisas: muitos responsáveis ainda têm dificuldade em falar sobre o tema com crianças e também adolescentes.
Um levantamento da instituição YouGov, citado pela instituição britânica NSPCC (National Society for the Prevention of Cruelty to Children), mostrou que metade dos pais de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos nunca havia conversado com seus filhos sobre limites do próprio corpo.
Em vez de transformar esse assunto em uma conversa isolada ou em algo que só aparece em situações específicas, a ideia do projeto é aproveitar momentos comuns da rotina, como a hora do banho. Para isso, a marca embalou um dos sabonetes líquidos coporais neutros de sua linha fixa com o slogan do movimento.
“‘É Meu’ nasce do nosso papel como marca de incentivar conversas que entendemos ser importantes. Sabemos que existem temas que podem ser considerados sensíveis ou delicados, mas que são possíveis de serem abordados em rotinas de cuidado e diálogo”, afirmou Carolina Carrasco, diretora de Branding e Comunicação do Boticário. “Criamos uma iniciativa que une conteúdo especializado, experiência e linguagem acessível para apoiar de forma prática, dentro da rotina diária.”
O projeto foi desenvolvido em parceria com a psicopedagoga, educadora e autora infantil Laila Romano. Segundo ela, uma das maiores barreiras ainda está na forma como muitas famílias enxergam esse tipo de conversa.
“Ainda há dúvidas sobre como abordar o tema da educação corporal com as crianças. Na prática, trata-se de apoiar o reconhecimento do próprio corpo, a compreensão de limites e o desenvolvimento da autonomia de forma gradual e adequada à idade”, explica em comunicado à imprensa.
Ela reforça que a construção desse entendimento não acontece em uma conversa única. “O mais importante é que a criança tenha espaço para perguntar, se expressar e construir esse entendimento ao longo do tempo.”
Além da plataforma educativa com materiais para pais e responsáveis, o movimento também traz um adesivo com QR Code que pode ser colado em produtos do cotidiano. A ideia é transformar objetos já presentes na rotina em pontos de partida para o diálogo.
Mas o ponto principal parece estar menos no objeto em si e mais na conversa que ele pode provocar.
O projeto também acontece em parceria com o Instituto Liberta, organização voltada à conscientização e prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes. A participação da instituição reforça uma preocupação que tem mobilizado especialistas, educadores e organizações de proteção infantil: apesar do aumento das discussões sobre segurança e direitos das crianças, os índices de violência sexual contra menores de idade seguem altos no Brasil.
“É importante que os pais compreendam que educar crianças mais protegidas depende de falas e atitudes bem mais simples do que eles imaginam”, afirmou Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta.
Além dos materiais educativos, a campanha também inclui um clipe musical desenvolvido em parceria com Jairzinho e Tania Khalill, do projeto Grandes Pequeninos, usando música e linguagem lúdica para aproximar conceitos mais complexos do universo infantil.
O papo é muito sério
A discussão também acontece em um contexto preocupante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que crianças e adolescentes seguem sendo a maior parcela das vítimas de violência sexual no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registra, em média, oito casos de violência sexual contra crianças e adolescentes por hora.
Além disso, levantamentos recentes apontam que meninas estão entre as principais vítimas desse tipo de violência. Apenas em 2024, mais de 45 mil casos de violência sexual contra meninas foram registrados no país.
Conversas sobre autonomia corporal, consentimento, limites e identificação de situações desconfortáveis não têm relação com sexualização infantil. Na verdade, funcionam como ferramentas de proteção, ajudando crianças a reconhecerem o próprio corpo, entenderem limites e desenvolverem confiança para pedir ajuda quando necessário.











