Com um timbre de voz potente, veia artística e um estilo único, Janis Joplin marcou a história
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Janis Joplin marcou a história do rock na década de 60, e segue sendo lembrada como um dos principais nomes da música. Sucessos como Piece of My Heart, Little Girl Blue e Maybe — que já ganhou até regravação de Miley Cyrus em 2021 — estão entre os hits que foram eternizados com a voz rouca inconfundível da cantora, atravessando gerações com as letras atemporais sobre amor e solidão.
É ela a protagonista da principal exposição em cartaz no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, o MIS-SP. Com início no dia 16 de abril, a mostra inédita que recebeu o nome de Janis conta com mais de 300 itens da cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana, que completaria 83 anos em 2026 se ainda estivesse viva. Mais que um registro de sua trajetória, do começo da vida artística à morte precoce em 1970, aos 27 anos, a coletânea com curadoria de André Sturm, diretor-geral do MIS, também é uma oportunidade de conhecer um pouco da vida pessoal da artista e ver de perto, entre registros de fotos, cartas e objetos, sua influência que vai além da música e também chega na moda.
Despojado e cheio de personalidade: o estilo boho hippie de Janis Joplin
Se na música Janis Joplin destoava dos timbres suaves das cantoras de folk e das vozes impecáveis das artistas de soul, na moda, a escolha de ir na contramão também prevalecia. Esqueça as minissaias e os vestidos tubinhos que predominavam na época, porque o estilo da rainha do rock'n'roll, como costuma ser chamada, não era nada disso: se destacavam as camadas de peças maximalistas, cores vibrantes e a ousadia, mas sem deixar de lado o que era casual e confortável.
As blusas com mangas boca de sino, que se popularizaram na década de 1970, já eram usadas por ela, quase sempre combinadas com calças largas e estampadas. No palco com a banda Big Brother and the Holding Company, chegava a ganhar um ar mítico com a combinação que fugia do que era tradicional na época, principalmente quando o look era considerado junto à potência de sua voz e presença de palco.
Em uma das paredes da exposição do MIS, com informações mais detalhadas sobre a artista, seu contraste em um mundo de tanta gente igual e a força do "ser diferente" aparecem como destaque: "Janis viveu a liberdade plena — no vestir, falar, pensar e amar", pontuam. Como exemplo, eles citam um trecho de um artigo intitulado "Ela ousa ser diferente", publicado no jornal da Universidade de Texas em Austin, que a define da seguinte maneira:
"Ela anda descalça quando quer, usa jeans na sala de aula porque são mais confortáveis e carrega sua auto-harpa para todo lugar, caso fique com vontade de cantar. Seu nome é Janis Joplin".
Certa de si e do que queria, a artista aproveitava a habilidade para desenhar e rascunhava os próprios modelos das roupas que queria para os shows. Alguns desenhos que fez para a amiga e designer Lindas Gravenites, inclusive, fazem parte do acervo da exposição, mostrando um pouco de seu conhecimento e inspiração para as apresentações. Além de especificar o estilo, as cores e onde deveria ter brilho, em alguns deles, Janis indicava até o tecido que queria para uma determinada peça ou forro.
Registros como esses indicam que o despojado e o lado excêntrico não se tratavam de um descaso com a moda, mas eram respostas de alguém que escolhia o que usava com intenção e ditava a própria personalidade sem medo de julgamentos.
Acessórios eram parte importante da produção
O impacto do visual de Janis não se limitava às roupas, tanto que os acessórios eram parte fundamental do todo. Colares longos, pulseiras e anéis de designs variados e cores vivas ajudavam a deixar o look da rockeira com ainda mais personalidade, entregando o glamouroso descontraído que ela não dispensava, especialmente nos palcos.
Outro acessório que se tornou marca registrada — e que também ganhou destaque na exposição — foi o boá, um item longo e cilíndrico, feito de plumas, penas ou peles, que costumava ser usado ao redor do pescoço ou sobre os ombros. E como não falar dos icônicos óculos de lentes redondas e coloridas? Um marco que se tornou quase sinônimo do estilo Joplin de se vestir.
O que de Janis Joplin permanece na moda hoje?
O estilo boho que conhecemos hoje, com peças de cortes fluidos e o mood despojado com informação de moda, traz muitas referências do que a artista usava na década de 60. Mas, pensando em detalhes mais específicos, dá para citar o mix de estampas — algo que Janis Joplin fazia sem medo em suas combinações —, peças artesanais, peças em crochê, sobreposição com coletes e o maximalismo nos acessórios.
Como alguém que entendia a moda como expressão do "eu", o ícone do rock e blues dos anos 60 também deixa o legado da naturalidade e autenticidade, com os cabelos soltos, a pouca maquiagem e os looks de estética livre como representação de uma escolha visual de quem entende que a arte também passa pela vestimenta.
Sobre a exposição Janis no MIS-SP:
Com classificação livre, a exposição que revisita a história de Janis Joplin segue em cartaz no Museu da Imagem e do Som, localizado na Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo. Com ingressos a R$30 (meia) e R$60 (inteira), pode ser visitada de terças a sextas, de 10h às 19h, sábados, de 10h às 20h, e domingos/feriados, de 10h às 18h. Os ingressos devem ser comprados previamente no site do MIS, já com a escolha do horário da visitação.
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