Tarifas Sem Base
O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da reunião ministerial da OCDE em Paris, onde abordou a recente imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Vieira afirmou
categoricamente que o governo brasileiro não vislumbra qualquer justificativa para tais sobretaxas. Ele explicou que a proposta de tarifas, baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, visa punir práticas comerciais consideradas desleais. No entanto, o Brasil respondeu a mais de 80 questionamentos com informações detalhadas, envolvendo todos os ministérios pertinentes. O principal argumento brasileiro é a ausência de uma base sólida para as tarifas, uma vez que o país registra um expressivo déficit comercial com os EUA, acumulando um saldo negativo de US$ 450 bilhões ao longo de 15 anos. Essa disparidade comercial, segundo o ministro, anula a necessidade de medidas protecionistas por parte dos americanos.
Caminho para Acordo
Durante o evento em Paris, Mauro Vieira teve um encontro com Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA encarregado das investigações. Greer expressou que as conversas com o Brasil vinham sendo positivas e que havia a intenção de prosseguir com o diálogo. Vieira prontamente concordou, reiterando o interesse brasileiro em negociar, especialmente após a apresentação dos relatórios finais, que ocorreram antes do prazo acordado entre os presidentes Lula e Trump em maio. O ministro interpretou a fala de Greer como um sinal de disposição mútua para negociação, destacando um histórico de reuniões e conversas desde o início de 2025, quando as questões tarifárias emergiram. Ele expressou a esperança de que o impasse seja solucionado e levado à atenção do presidente Trump em breve, ressaltando que o ponto pendente reside na compreensão mútua, e não em questões de mérito.
Diálogo Estratégico
Apesar da ausência de uma agenda específica para um encontro entre os presidentes Lula e Trump na cúpula do G7 em Evian, Vieira mencionou a possibilidade de um diálogo caso surja a oportunidade. Ele também comentou sobre a importância estratégica do acordo entre Mercosul e União Europeia, cujo pilar comercial entrou em vigor provisório em 1º de maio, enfatizando a necessidade do Brasil em expandir sua rede de acordos comerciais. Vieira destacou a realização de encontros bilaterais em Paris, incluindo conversas exploratórias para novos acordos com o Reino Unido e Japão, além de uma reunião sobre diálogo estratégico com a China, que também abrangeu temas comerciais. Ele avaliou os dias de reunião como produtivos e reiterou que, embora não haja uma data definida para o fim da disputa tarifária, as conversas continuarão, com reuniões agendadas com os ministérios do Comércio e da Fazenda ao retornar ao Brasil.













