O Que é Glaucoma?
O glaucoma se destaca como a principal razão para a perda de visão irrecuperável em território brasileiro. Estima-se que cerca de 350 mil indivíduos recebam tratamento anual para esta condição através
de colírios disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Essa doença, de natureza progressiva, geralmente surge devido a um aumento da pressão dentro do olho. Isso ocorre quando há desordens na circulação do humor aquoso ou obstruções nos canais que drenam esse fluido. Com o passar do tempo, essas alterações causam danos ao nervo óptico, comprometendo gradualmente a capacidade visual. Embora não exista uma cura definitiva para o glaucoma, a condição pode ser efetivamente controlada por meio de diagnósticos precisos e acompanhamento médico contínuo e rigoroso.
Aumento na Demanda Cirúrgica
Uma investigação aprofundada, conduzida por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita e publicada na prestigiada revista científica Clinical Epidemiology and Global Health, analisou o cenário dos procedimentos cirúrgicos para glaucoma no âmbito do SUS. Os resultados da pesquisa revelaram um aumento impressionante de 144% no número de cirurgias realizadas. Apesar desse crescimento expressivo, a oftalmologista Carolina Engelbrecht, que participou ativamente da elaboração do artigo e atua como pesquisadora, ressalta que "A cobertura da demanda nacional ainda apresenta desafios significativos". Isso indica que, mesmo com o aumento na oferta de cirurgias, ainda há uma lacuna a ser preenchida para atender a todos os pacientes que necessitam de intervenção cirúrgica para o controle da doença e preservação da visão.
Sintomas e Diagnóstico Tardio
A forma mais prevalente de glaucoma avança de maneira sutil e gradual, o que representa um desafio considerável para o diagnóstico precoce. O oftalmologista Diego Monteiro Verginassi, também vinculado ao Einstein, explica que "Nesses casos, o paciente normalmente não tem sintomas e isso não o faz procurar atendimento oftalmológico". Essa ausência de manifestações visíveis leva muitos indivíduos a não buscarem avaliação oftalmológica até que a doença esteja em estágios mais avançados, quando a perda de visão já é significativa e, em muitos casos, irreversível. A natureza silenciosa do glaucoma é um dos principais obstáculos para seu controle eficaz.
Prevenção e Fatores de Risco
Para combater o avanço silencioso do glaucoma, a recomendação médica é clara: a partir dos 40 anos de idade, a investigação para a doença deve ser incorporada aos exames oftalmológicos de rotina. Existem, contudo, fatores que elevam consideravelmente o risco de desenvolvimento do glaucoma, tornando a vigilância ainda mais crucial para esses indivíduos. Pessoas com histórico familiar da doença, idosos, aqueles que apresentam pressão ocular elevada, alta miopia, ou que utilizaram corticoides por períodos prolongados, devem redobrar a atenção e realizar acompanhamento oftalmológico mais frequente e detalhado. A detecção precoce é a chave para evitar a perda visual.











