Vale do Catimbau, PE
Localizado na transição entre o agreste e o sertão pernambucano, o Vale do Catimbau emerge como uma paisagem singular da Caatinga, sendo o segundo maior parque arqueológico do país. Com mais de 42 sítios
catalogados, ostenta registros de pinturas rupestres e artefatos de ocupação pré-histórica com pelo menos 6.000 anos de antiguidade. As formações rochosas de arenito, esculpidas pelo vento ao longo de 150 milhões de anos, criam um cenário que remete a outro planeta, cobrindo aproximadamente 62.294 hectares e apresentando uma diversidade de relevo impressionante, com serras, morros e extensos planaltos. É crucial notar que a visitação a este parque exige a companhia de um guia credenciado para garantir a segurança e a preservação do local.
Cânions do Rio Poti, PI
No município de Buriti dos Montes, no Piauí, o Rio Poti esculpiu um cânion espetacular ao atravessar uma fenda geológica na Serra da Ibiapaba. Seu curso de cerca de 140 quilômetros nessa região deu origem a imponentes paredes rochosas, piscinas naturais e trechos navegáveis que tiram o fôlego. Além da beleza geológica, a área é um tesouro arqueológico, abrigando gravuras e pinturas rupestres milenares que testemunham a presença de antigas populações. Atualmente, o Cânion do Rio Poti faz parte da Rota das Águas do Piauí, um roteiro que tem como objetivo consolidar o estado como um destino de ecoturismo consciente e responsável, atraindo visitantes interessados em história e natureza.
Serra do Divisor, AC
No extremo oeste do Brasil, na fronteira com o Peru, o Parque Nacional da Serra do Divisor abriga espécies de plantas endêmicas e animais raros. Sua localização estratégica, em uma região de transição entre as terras baixas da Amazônia e o ecossistema andino, resulta em uma Amazônia diferente da tradicionalmente imaginada: com rios de águas cristalinas, cadeias de montanhas e cachoeiras que raramente são associadas a esse bioma. Com mais de 843.000 hectares, o parque é um santuário para mais de 520 espécies de aves registradas, incluindo o Soldadinho-do-acre, descoberto em 2004 e avistado unicamente nesta região. A exploração do parque é feita predominantemente por meio de passeios de barco pelo Rio Moa, transformando o trajeto em parte integral da experiência de aventura.
Canyons de Cambará do Sul, RS
Elevado nos Campos de Cima da Serra, a mais de mil metros de altitude, Cambará do Sul é lar de abismos com até 720 metros de profundidade, sendo parte reconhecida pela UNESCO como um Geoparque Mundial. Os Cânions Itaimbezinho e Fortaleza se destacam como as principais atrações; o primeiro, com 5,8 km de extensão e paredões que se erguem sobre a floresta, e o segundo, considerado o mais exuberante da região. A geografia local, integrada aos parques nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral, abriga os maiores cânions da América do Sul. A recomendação é dedicar um dia inteiro para explorar cada cânion, chegando cedo para apreciar a paisagem antes que a neblina matinal a dissipe.
Parque Nacional de Anavilhanas, AM
Situado entre Manaus e Novo Airão, no Amazonas, o Parque Nacional de Anavilhanas se estende por cerca de 350.000 hectares e protege um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, composto por aproximadamente 400 ilhas. Originalmente uma Estação Ecológica em 1981, foi transformado em parque nacional em 2008, permitindo a visitação turística monitorada. A rica fauna aquática é um dos grandes atrativos, com destaque para o boto-cor-de-rosa e o peixe-boi, espécies icônicas do parque. As atividades incluem trilhas aquáticas em igapós, observação de animais, voos panorâmicos e paradas nas ilhas. A estação seca, entre setembro e fevereiro, é o período ideal para visitar este paraíso amazônico.
Serra do Amolar, MS
A Serra do Amolar, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), é administrada pelo Instituto Homem Pantaneiro e se estende pela fronteira entre Brasil e Bolívia. Abrangendo 80 km de cadeias montanhosas em uma área de 300.000 hectares, distribuídos entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o acesso é feito exclusivamente pelo Rio Paraguai, partindo de Corumbá (MS) ou Porto Jofre (MT). A viagem de barco pode levar mais de 20 horas, sendo parte intrínseca da experiência. A região apresenta uma geografia distinta das planícies pantaneiras, com serras, corixos e poços de água cristalina. É um dos principais refúgios para a onça-pintada no Pantanal. A visitação é controlada e organizada em pacotes que englobam transporte, hospedagem, alimentação e passeios.
Parque Nacional Monte Roraima, RR
O Monte Roraima é um tepui singular, uma montanha com topo plano característica da região das Guianas, cercado por falésias com cerca de 1.000 metros de altura. Seu platô, a quase 3.000 metros de altitude, oferece um ambiente radicalmente diferente da floresta tropical e do cerrado encontrados em sua base. No cume, encontra-se o Marco das Três Fronteiras, onde Brasil, Venezuela e Guiana se encontram. Um dos tepuis mais antigos do planeta, com estimados 2 bilhões de anos, inspirou Arthur Conan Doyle a criar a ambientação de 'O Mundo Perdido'. A flora local se adaptou ao isolamento, apresentando um alto grau de endemismo, incluindo plantas carnívoras. A jornada para chegar ao topo é desafiadora, exigindo pelo menos dois dias de trekking, mas cada passo é recompensador.












