Um gambá ameaçado pode cair de lado, permanecer imóvel e parecer sem vida por vários minutos. A cena não é uma atuação planejada, mas uma resposta automática
de sobrevivência. No Brasil, esse comportamento está associado a gambás terrestres do gênero Didelphis, como o gambá-de-orelha-preta, e não ao gambá-de-água.
Qual gambá se finge de morto?
O gambá-de-orelha-preta, de nome científico Didelphis aurita, também é conhecido como saruê, sariguê ou mucura. Encontrado principalmente em áreas de Mata Atlântica, ele possui hábitos noturnos, alimentação variada e grande capacidade de adaptação, podendo aparecer em florestas, sítios e regiões urbanizadas.
Quando se sente encurralado e não consegue escapar, o animal pode apresentar a chamada tanatose. Ele fica imóvel, com o corpo flácido e baixa reação aos estímulos. O comportamento também é conhecido em outros integrantes do gênero Didelphis, incluindo o gambá-da-Virgínia, espécie comum na América do Norte.
O gambá escolhe parecer morto?
Apesar da expressão popular “fingir de morto”, o gambá não decide interpretar uma cena. A reação é involuntária e costuma surgir em situações de estresse extremo, especialmente quando fugir ou enfrentar o predador já não parece possível. O organismo entra em um estado temporário de imobilidade difícil de interromper.
Uma revisão publicada na revista Behavioral Ecology and Sociobiology descreve a imobilidade tônica como uma resposta defensiva geralmente acionada nas etapas finais de um ataque. O animal pode permanecer pouco responsivo até que a ameaça se afaste e seu corpo recupere gradualmente os movimentos normais.
Como a tanatose afasta os predadores?
Muitos predadores são estimulados pelo movimento e preferem capturar presas vivas. Quando o gambá interrompe repentinamente a fuga, o ataque pode ser desorganizado. A ausência de reação também pode produzir a impressão de que aquele animal está doente, morto ou não representa uma opção segura de alimento.
- Interrompe os estímulos visuais produzidos pela movimentação;
- Pode reduzir o interesse imediato do predador;
- Cria a aparência de uma presa morta ou debilitada;
- Oferece tempo para que a ameaça se afaste;
- Permite que o gambá escape após recuperar os movimentos.
A estratégia não garante proteção em todos os encontros, mas pode criar segundos decisivos. Em algumas situações, o predador solta a presa ou se afasta para observá-la. Quando o perigo diminui, o gambá desperta do estado de imobilidade e procura rapidamente um abrigo seguro.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube TV Diarinho que captou o momento que um gamba usa sua técnica de se fingir de morto.
O vídeo mostra uma defesa de último recurso
O vídeo compartilhado pelo canal TV Diarinho mostra um gambá resgatado em Santa Catarina recorrendo à imobilidade diante de uma situação ameaçadora. Pelas informações disponíveis, o mais seguro é descrevê-lo como um gambá terrestre do gênero Didelphis, sem afirmar uma identificação definitiva apenas pelas imagens.
Na região, espécies como o gambá-de-orelha-preta e o gambá-de-orelha-branca podem ser encontradas. Independentemente da identificação exata do indivíduo, o comportamento registrado é compatível com a tanatose observada nesses marsupiais. O vídeo pode ser conferido em https://www.youtube.com/watch?v=OwId8CoR13w.
Respeitar o gambá evita acidentes e protege a natureza
Ao encontrar um gambá imóvel, não toque, não tente acordá-lo e mantenha cães e gatos afastados. O animal pode estar em tanatose, ferido ou apenas esperando o perigo passar. O ideal é preservar uma rota de fuga e, quando houver risco, procurar profissionais responsáveis pelo manejo de animais silvestres.
Gambás ajudam a controlar insetos e pequenos animais, consomem frutos e participam do equilíbrio ambiental. Conhecer suas defesas reduz o medo e combate informações incorretas. Em vez de atacar ou expulsar o visitante, mantenha distância e aja rapidamente para protegê-lo, pois alguns minutos de cuidado podem salvar uma vida.
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