Os Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira, 16, que o Pix recebe tratamento favorecido no Brasil e que isso acaba restringindo a atuação de empresas americanas no mercado de pagamentos. A avaliação
foi apresentada por um alto funcionário da Casa Branca ao detalhar a decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o integrante do governo americano, que falou sob condição de anonimato seguindo as regras da Casa Branca para esse tipo de briefing, os EUA não defendem o fim do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, mas questionam o que consideram uma vantagem competitiva decorrente de sua operação pelo Banco Central.
"Não estamos pedindo ao Brasil para se livrar do Pix, sabemos que é importante para o Brasil, e está tudo bem. O que não queremos é uma situação em que empresas americanas são forçadas a anunciar o Pix ou são restringidas pelo Pix, e o Pix receba tratamento especial", afirmou.
O funcionário acrescentou que a preocupação do governo americano é garantir condições de concorrência equivalentes entre o Pix e empresas privadas do setor de pagamentos.
"A propriedade e a operação do Pix são do governo. Queremos que o Pix concorra com as empresas americanas na mesma base local. Todas as coisas que estamos pedindo não são surpreendentes", disse.
As declarações foram feitas durante uma conversa com jornalistas para explicar os motivos da sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos. A medida passa a valer em 22 de julho e é resultado da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Além do Pix, a investigação avaliou outros temas apontados pelos Estados Unidos como possíveis práticas comerciais desleais, entre eles o desmatamento ilegal, o acesso de produtos americanos ao mercado brasileiro e questões envolvendo o mercado de etanol.
Em nota, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a decisão faz parte da política econômica do governo Trump.
"A proteção dos interesses econômicos dos Estados Unidos contra práticas comerciais desleais é a base das políticas America First do presidente Donald Trump. As práticas comerciais desleais do Brasil têm impedido que trabalhadores e produtores dos EUA tenham acesso a esse importante mercado de mais de 210 milhões de consumidores", disse.
Apesar da tarifa de 25%, os Estados Unidos divulgaram uma lista de 864 exceções, que inclui produtos como carne, café, suco de laranja, terras raras e componentes destinados à indústria aeronáutica.







