Dados da Glassdoor mostram que 68% dos trabalhadores millennials (nascidos entre 1981 e 1996) dizem ter adiado algum marco importante da vida por causa de incertezas relacionadas à carreira, enquanto 76%
afirmam que já estão repensando ativamente seus caminhos profissionais. Para Bianca Junqueira, sócia e CRO da fintech Jumpstart, a geração que entrou no mercado em meio a grandes transformações econômicas, em tese, chegou no momento em que deveria colher os resultados de uma trajetória consolidada. “Porém, para muitos, essa estabilidade não veio”.
As principais razões, segundo ela, seriam a “grande recessão”, a “pandemia” e, agora, a expansão da inteligência artificial com mudanças profundas em funções tradicionais. “O momento é particularmente sensível porque coincide com uma fase em que esses profissionais deveriam estar alcançando o ponto mais sólido de suas carreiras”, reforça a executiva. “Muitos já chegaram à gestão e uma parcela crescente se aproxima de posições executivas, enquanto os rendimentos tendem a atingir seu pico. Ainda assim, a percepção de segurança não acompanha essa evolução”.
É nesse ponto que surge o movimento que a Glassdoor chama de “stability stacking”, em que parte dos millenials muda o pensamento sobre a própria carreira: em vez de depender de uma única fonte de estabilidade, passam a construir diferentes camadas de proteção profissional e financeira. A seguir, a especialista indica alguns caminhos que podem facilitar essa busca.
1.Ampliar a rede de contatos antes que ela seja necessária: networking e relacionamentos profissionais podem funcionar como uma espécie de reserva de oportunidades. “Nem sempre existe um objetivo concreto no momento em que duas pessoas se conectam, mas manter essas relações pode facilitar uma mudança de trabalho, um projeto ou uma parceria quando uma nova necessidade surgir”, diz Bianca.
2.Combinar competências humanas e tecnológicas: “diante da velocidade em que a inteligência artificial altera tarefas e funções, uma abordagem baseada em habilidades ganha espaço, combinando conhecimentos relacionados à própria tecnologia com competências menos suscetíveis à automação”. Comunicação, capacidade de contar histórias, adaptação e outras capacidades humanas podem ganhar relevância justamente por complementarem o uso de ferramentas de IA.
3.Construir uma reputação profissional fora dos canais tradicionais de contratação: para a CRO, compartilhar publicamente aprendizagens, opiniões e experiências pode gerar oportunidades que dificilmente apareceriam em uma busca convencional por emprego. “Produzir conteúdo, participar de discussões do setor ou tornar uma especialidade conhecida amplia a visibilidade profissional e pode transformar conhecimento acumulado em novas possibilidades de trabalho”.
4.Criar uma reserva financeira: a executiva acrescenta ainda que essa lógica de investir em fonte adicional de renda para reduzir a vulnerabilidade diante de uma eventual demissão só faz sentido desde que parte dela seja destinada à formação de uma reserva financeira. “Nesse modelo, a carreira deixa de ser pensada apenas como uma trajetória linear dentro de uma empresa e passa a ser construída como uma combinação de competências, relacionamentos, reputação e fontes de renda”.








