Lançada nos cinemas brasileiros no final de abril, Michael já se firmou com um dos grandes sucessos da indústria em 2026, e se tornou a primeira cinebiografia a ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares
em bilheteria. O filme sobre Michael Jackson (1958-2009) superou arrasa-quarteirões como Bohemian Rhapsody (2018), sobre a vida de Freddie Mercury (1946-1991), Elvis (2022) e Oppenheimer (2023). Não à toa, o mercado nacional abraçou o formato nos últimos anos, e os longas do gênero têm ganhado ares de superprodução. Segundo levantamento da Ancine, em 2023, Nosso Sonho e Meu Nome É Gal estiveram entre as dez películas mais assistidas no país, sendo a narrativa sobre a dupla Claudinho e Buchecha a líder da lista, com 505 000 espectadores.
Entre os mais recentes, Mamonas Assassinas - O Filme vendeu 861 000 ingressos e Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, levou 5,7 milhões de pessoas aos cinemas. A última grande sensação foi Homem Com H, focado em Ney Matogrosso, com público de 631 000 em 2025. “Um longa-metragem que retrata um ícone está sempre três passos à frente para ter bons resultados de bilheteria, porque, além do público cativo, há o pressuposto de que o fã vai sair de casa para conhecer mais a fundo aquele ídolo”, comenta o diretor e produtor Cavi Borges.
E vem por aí uma nova leva de obras nacionais: cantores como Zeca Pagodinho, Marília Mendonça (1995-2021), Chorão (1970-2013) e Elza Soares (1930- 2022), além da jogadora de futebol Marta, terão suas trajetórias transportadas para a telona. Com duração média de 90 a 120 minutos, as cinebiografias unem ficção e realidade para apresentar um ou vários personagens dentro do contexto cultural, social e histórico em que viveram. “Um bom filme do gênero precisa retratar o artista e gerar identificação com a memória afetiva do espectador, mostrando acontecimentos marcantes da jornada do protagonista com uma boa dose ficcional que gere envolvimento do público, contando uma boa história”, define Bia Crespo, que assina ao lado de Fernando Bonassi o roteiro de Cássia - O Filme, que contará com a atriz Luisa Arraes no papel de Cássia Eller (1962-2001). A roteirista revela que, entre os pontos mais sensíveis e emocionantes da película, estão os momentos íntimos da cantora com a esposa, Maria Eugênia, já que o casal era discretíssimo. Já a parte mais difícil do trabalho, segundo a autora, é a necessidade de deixar de fora alguns episódios importantes. “Nem numa série de vinte capítulos conseguiríamos contar tudo, mas sabíamos que não podiam faltar, por exemplo, o show no Rock in Rio de 2001, o Acústico MTV e as cenas dos fãs enlouquecidos por ela. Essas imagens nos guiaram e são as raízes que tecem as demais passagens do longa”.
Em 2027, chega aos cinemas a história de uma das figuras mais emblemáticas da cultura carioca. Protagonizado por Mosquito, Deixa A Vida Me Levar mostrará a infância humilde no subúrbio até a consagração de Zeca Pagodinho no panteão da música. Essa é a primeira vez que o sambista da Ilha do Governador realiza um trabalho como ator, e sua entrada no longa-metragem teve início inusitado. “Começaram a me marcar no post que anunciava a busca pelo intérprete do papel principal. Resolvi fazer o teste por vídeo e fui aprovado”, conta Mosquito. “Fui muito bem guiado pelos preparadores, pelos outros atores e a equipe é muito generosa.” Fã assumido do homenageado, o artista revela que a película pretende humanizar Zeca Pagodinho, mostrando quem é Jessé Gomes da Silva Filho. Estão incluídas cenas de sua relação com a família e os tropeços da carreira. Presente em alguns dias de gravações, o autor de Água da Minha Sede chegou a dar uma bronca na produção em tom de brincadeira: “Estávamos gravando um momento em que eu brigava com um executivo da gravadora. Quando o diretor cortou, ele disse: ‘Não dá mole para Mosquito não, hein? Olha a minha reputação! ”. O agora ator chama a atenção para o fato da celebração ser em vida. “As flores tem que ser entregues enquanto a pessoa ainda está aqui, e é muito legal ter um filme sobre a geração que revolucionou a música brasileira. Já quero ver outros nomes retratados”. Ao que tudo indica, a próxima turnê dos grandes ídolos brasileiros será nas salas de cinema.
Campeões de bilheteria
As dez cinebiografias que mais venderam ingressos no país
12,1 Milhões Nada a Perder 2018
6,1 Milhões Nada a Perder 2 2018
5,7 Milhões Ainda Estou Aqui 2024
5,4 Milhões Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia 1977
5,3 Milhões 2 Filhos de Francisco 2005
3,4 Milhões Chico Xavier 2010
3,08 Milhões Cazuza — o Tempo Não Para 2004
3,07 Milhões Olga 2004
2,1 Milhões Bruna Surfistinha 2011
2,09 Milhões Meu Nome não É Johnny 2008







