Duas discussões sobre o papa Leão XIV, uma de curto prazo e outra de alcance mais amplo, já estão sendo travadas no Vaticano e onde quer que a religião católica chegue no mundo, com seus 1,4 bilhão de integrantes
batizados.
A primeira é se o papa Leão XIV, recém-saído de uma cirurgia de câncer no pulmão, poderá fazer a viagem, já a partir do próximo dia 6, a Argentina, Uruguai e Peru, este último particularmente importante, pois é seu segundo país, onde passou três décadas, tendo até a nacionalidade peruana. Pode uma pessoa com as sequelas previsíveis - dor, falta de ar e organismo ainda se adaptando à falta de um pedaço do pulmão - enfrentar os rigores de uma viagem desse tipo?
A segunda aflora inevitavelmente sempre que a saúde papal dá algum sinal de dúvida: quem poderá ser o sucessor?
As duas dúvidas dependem, em seu desenvolvimento, de fatores ainda desconhecidos. Por exemplo, o tipo de câncer, de células não pequenas, o mais comum, ou de células pequenas, que atinge 15% dos pacientes e provoca metástases mais rápidas. E, claro, o estágio. Tumores em fase inicial, ainda bem pequenos, fazendo pressupor que não se espalharam para os nódulos linfáticos ou outras partes do organismo, podem não ser tratados com quimioterapia.
PAPA FILIPINO?
Em qualquer hipótese, Leão XIV, originalmente Robert Prevost, o papa americano-peruano, pode ser um papa de transição, uma figura apaziguadora depois da tendência ao conflito de seu antecessor, o argentinamente briguento Jorge Bergoglio, o papa Francisco.
Durante a visita papal bem-sucedida à França no mês passado, houve praticamente uma reação unânime de exaltação da serenidade de Leão (o fato de ele falar francês fluentemente, devido à origem familiar paterna, também ajudou). Muitos também elogiaram o sorriso afetuoso e bondoso, algo que estava fazendo falta na Igreja.
Fora o estilo pessoal, Leão XIV não mudou muito na linha da Igreja e manteve o rigor de Francisco com os ultratradicionalistas, excomungando seis bispos cismáticos. Leão ficou sem opção quando os rebeldes resolveram consagrar novos bispos sem o aval do papa.
Quem poderá ser seu sucessor? Os “nomes de sempre” voltaram a circular. Entre eles, o conhecido Pietro Parolin, secretário de Estado (na verdade, equivalente a um primeiro-ministro) que atravessa papados. Outro nome forte: o filipino Luis Antonio Tagle, a quem Leão nomeou decano do Colégio dos Cardeais. Um papa asiático confirmaria o universalismo da Igreja e a tendência ao seu crescimento nas periferias, longe do declínio que vive na Europa.
Tagle também foi considerado um candidato forte no processo em que o pouco conhecido americano acabou escolhido. Seria bom se Robert Prevost tivesse mais tempo e saúde para mostrar sua visão da Igreja por completo, mas os 266 papas que vieram antes dele também tiveram a sucessão inevitavelmente discutida.








