As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entraram em vigor nesta quarta-feira, 22, e levaram o governo Lula a reforçar a estratégia de negociação, descartando
uma retaliação imediata. A moderação, segundo especialistas, pode ser um trunfo do presidente no momento. O tema foi debatido no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall'Agnol, com a participação do editor José Benedito da Silva e do economista Daniel Telles (este texto é um resumo do vídeo acima).
Ao comentar a resposta brasileira, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a prioridade é buscar uma solução negociada. As novas tarifas foram anunciadas após uma investigação do governo dos Estados Unidos concluir que o Brasil adota práticas consideradas restritivas ao comércio, citando, entre outros pontos, o Pix e a regulação das plataformas digitais.
Como o governo pretende reduzir os impactos?
Com a entrada em vigor das tarifas, exportadoras aceleraram embarques para tentar escapar da nova cobrança. Pela regra americana, apenas cargas embarcadas antes da vigência da medida e internalizadas nos Estados Unidos até o prazo estabelecido ficam livres da sobretaxa. Ao mesmo tempo, o governo iniciou discussões com setores atingidos, como as indústrias de calçados e de autopeças, para estruturar medidas de compensação.
Segundo José Benedito, a condução das negociações por Alckmin representa um fator de estabilidade. "Acho que é muito bom que o vice-presidente esteja à frente, porque a gente sabe o perfil político dele... É uma pessoa que faz as coisas com bastante moderação, com bastante prudência e que não é movida por gestos tempestuosos."
O editor ressaltou que a chamada Lei da Reciprocidade deve ser vista como um instrumento para equilibrar medidas comerciais, e não como mecanismo automático de retaliação.
A negociação pode reverter as tarifas?
Apesar da postura conciliadora do governo, José Benedito demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de uma reversão rápida da medida. "Eu não tenho muita esperança de que isso possa ser mudado."
Na avaliação do editor, existe um componente político relevante por trás da decisão americana. "A administração trumpista vê o governo brasileiro atual como inimigo e tem intenção de influenciar na eleição brasileira."
Enquanto negocia, o governo também discute linhas de crédito e ajustes tributários para reduzir os impactos sobre empresas exportadoras. Para Benedito, a crise cria uma oportunidade de aproximação entre o Palácio do Planalto e setores empresariais que historicamente mantiveram uma relação distante com o governo.
Por que o mercado reagiu com tranquilidade?
Apesar das novas tarifas, Daniel Telles observou que os mercados financeiros reagiram de forma relativamente positiva, com valorização da bolsa e queda do dólar. Segundo o economista, parte dessa reação decorre da percepção de que o Brasil possui hoje maior capacidade de diversificar mercados e estabelecer novas rotas comerciais.
Telles também destacou que produtos como grãos, carnes e café ficaram fora da sobretaxa. "Os Estados Unidos passam por uma certa pressão inflacionária... Esses aí não estão sendo sobretaxados."
A crise pode favorecer o governo politicamente?
Questionado sobre os possíveis efeitos eleitorais do episódio, Telles afirmou que a postura adotada pelo governo até o momento pode ampliar sua interlocução com setores tradicionalmente mais resistentes. "Não ter subido o tom e aplicado logo a lei da reciprocidade... não ter feito isso num tom acalorado e escalando ainda mais a tensão diplomática foi positivo."
O economista também avaliou que o aumento da tensão partiu principalmente das autoridades americanas e voltou a defender que o Brasil preserve uma postura pragmática nas negociações.
O que esperar dos próximos passos?
Na parte final da entrevista, Telles classificou como frágeis as justificativas técnicas apresentadas para a adoção das tarifas e afirmou que a estratégia americana mistura argumentos econômicos e políticos. Segundo ele, a principal característica da negociação neste momento é a imprevisibilidade. "Semana que vem a gente pode ter o Trump dizendo que está revogando essas tarifas e que o governo brasileiro é liderado por boas pessoas... Do ponto de vista de negociação, eu diria que é imprevisível."
Para o economista, diante desse cenário, o desafio do Brasil passa por reduzir sua dependência do mercado americano e ampliar sua rede de parceiros comerciais.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.











