Um novo tratamento para pacientes adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágios iniciais foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão de uso da edaravona na rede pública foi publicada
nesta terça-feira, 21, no Diário Oficial da União. O medicamento é indicado para pacientes com ELA em graus 1 e 2, com duração da doença menor ou igual a dois anos.
Segundo o documento, as áreas técnicas têm o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta do tratamento pelo SUS. O objetivo da nova terapia é inibir o avanço da ELA, doença grave e progressiva que afeta os neurônios responsáveis por comandar os movimentos do corpo.
A condição é rara e a maioria dos casos (mais de 90%) não tem causa definida. Mais comum entre os 55 e 75 anos de idade, causa fraqueza muscular que piora gradualmente, afetando a capacidade de realizar atividades como andar, falar, engolir e até respirar, mas não costuma afetar a inteligência, a sensibilidade ou os sentidos (visão, audição, olfato e paladar).
Segundo o Ministério da Saúde, em uma pequena parcela dos pacientes (menos de 10%), a doença é familiar, ou seja, é herdada e pode haver mais de um caso na mesma família. O que se sabe é que a condição envolve a degeneração e a morte dos neurônios motores, mas os motivos exatos para que isso aconteça ainda são estudados pela ciência. Além disso, ainda não há cura conhecida para a ELA.
O que é o novo remédio?
O edaravona foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023. Lançado no Brasil pela farmacêutica Daiichi Sankyo, a substância deve ser administrada em clínica ou hospital, por meio de infusão intravenosa.
Segundo a bula do medicamento, seu objetivo é eliminar os chamados "radicais livres", moléculas instáveis que causam dano oxidativo às células cerebrais. Os cientistas acreditam que o acúmulo anormal dessas moléculas contribui para a degeneração dos neurônios observada em pacientes com ELA.
Os estudos clínicos que embasaram sua aprovação mostraram uma desaceleração do declínio funcional em pessoas com ELA em fase inicial. Por isso, o medicamento é recomendado para um grupo restrito de pacientes, nos quais há maior probabilidade de benefício.
Até então, o único tratamento específico para ELA disponível no SUS era o riluzol. O medicamento ajuda a retardar a progressão da doença, mas seu efeito é limitado e ele não interrompe a degeneração dos neurônios nem recupera as funções perdidas. A incorporação da edaravona amplia as opções de tratamento para pacientes em fase inicial da doença, com o objetivo de preservar a capacidade de realizar atividades do dia a dia por mais tempo.
Quais são os sintomas da ELA?
Os sintomas da condição surgem da fraqueza muscular causada pela perda dos neurônios. Eles podem variar, mas os principais incluem:
- Fraqueza em uma mão, no braço ou em uma perna, como deixar cair objetos ou tropeçar com frequência;
- Cãibras musculares e contrações involuntárias e visíveis dos músculos (fasciculações), principalmente na língua;
- Dificuldade para falar (disartria), de modo que a voz fica anasalada ou pastosa;
- Dificuldade para engolir (disfagia).
Não existe um exame único para diagnosticar a doença. O diagnóstico é clínico, ou seja, o mneurologista avalia os sintomas, o histórico do paciente e faz um exame físico detalhado.
Para confirmar o diagnóstico e, principalmente, para descartar outras doenças que podem ter sintomas parecidos, o médico pode solicitar alguns exames complementares, como eletroneuromiografia, ressonância Magnética do crânio e coluna e exames de sangue. O diagnóstico pode levar alguns meses para ser concluído, já que é preciso acompanhar o avanço dos sintomas e afastar todas as outras possibilidades.













