O incêndio que devastou a província de Almería, no sul da Espanha, tornou-se a tragédia provocada pelo fogo mais letal da história da Andaluzia. Desde as primeiras chamas, no dia 9, ao menos 13 pessoas
morreram — entre elas sete britânicos, três belgas, um francês, um americano e um espanhol — depois que o fogo avançou rapidamente sobre áreas de mata e comunidades próximas à costa mediterrânea. Mais de 6.600 hectares foram destruídos e milhares de moradores precisaram deixar suas casas.
O incêndio é consequência de uma soma de fatores. O gatilho, segundo as investigações, foi a queda de um cabo elétrico, que provocou um estrago semelhante ao de um fósforo lançado sobre um palheiro. A vegetação da região estava extremamente ressecada. Temperaturas excepcionais, baixa umidade do ar, ventos intensos e o relevo montanhoso favoreceram a rápida propagação das chamas e dificultaram o trabalho das equipes de combate.
Mas foi o inverno e a primavera excepcionalmente chuvosos na Península Ibérica que ajudaram a alimentar o fogo neste verão. É quase um paradoxo climático. Como o solo permaneceu com umidade acima do normal e os rios registraram vazões superiores à média, houve um crescimento muito maior de gramíneas e arbustos. Depois vieram o calor e a seca. O incêndio encontrou uma quantidade muito maior de vegetação para servir de combustível. “Semanas sem chuva, temperaturas de até 42°C, umidade do ar em torno de 10% e rajadas de até 70 km/h criaram as condições ideais para um incêndio extremo”, explicou Joe McNorton, pesquisador do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF).
Mais do que um desastre isolado, o incêndio espanhol faz parte de um cenário que vem se repetindo em todo o continente. Neste verão europeu, ondas de calor recordes secaram florestas e elevaram o risco de fogo a níveis extremos em diversos países. França, Portugal e Grécia também enfrentaram grandes incêndios nas últimas semanas. Segundo o serviço europeu Copernicus, a Europa Ocidental registrou o junho mais quente desde o início das medições. Os cientistas atribuem esse cenário principalmente ao aquecimento global, que já faz da Europa o continente que mais aquece no planeta. O El Niño, que voltou a atuar este ano, contribui para elevar a temperatura média global e aumentar a probabilidade de eventos climáticos extremos, embora não seja apontado como a causa direta dos incêndios na Espanha.













