A reação do setor produtivo levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a recalibrar sua estratégia diante do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A avaliação é do colunista
Robson Bonin, que afirmou, durante o VEJA em Foco, apresentado por Raquel Novaes, que o governo abandonou o discurso de confronto adotado no início da semana para voltar a enfatizar a negociação com Washington.
Segundo Bonin, Lula havia transformado o tema em um embate político ao levar a discussão para o ambiente eleitoral, movimento que acabou gerando resistência entre empresários preocupados com os impactos econômicos das tarifas. "O presidente Lula hoje fez o caminho inverso."
O que provocou essa mudança de estratégia?
Na avaliação de Robson Bonin, a inflexão ocorreu após uma forte reação do setor produtivo, que demonstrou preocupação com o uso político da crise comercial.
"Veio uma reação muito forte, principalmente no setor produtivo, mostrando que não gostaria de ver o governo encampando, utilizando essa discussão, essa negociação com os Estados Unidos como um ativo eleitoral."
Segundo o colunista, o governo passou então a priorizar uma mensagem de estabilidade ao mercado, deixando em segundo plano o discurso político.
Como o governo tenta reduzir a tensão?
Bonin afirma que a nova postura busca tranquilizar os setores diretamente atingidos pelas tarifas e sinalizar que o governo continuará negociando uma saída diplomática.
"A postura do governo é meio que no sentido de chamar o mercado para si, dar uma tranquilizada em quem está diretamente impactado por essas medidas."
Segundo ele, a estratégia também inclui mostrar que o Executivo oferecerá apoio às empresas prejudicadas, sem ampliar o clima de confronto.
Qual foi a resposta oficial do governo?
No mesmo dia em que as tarifas entraram em vigor, o governo anunciou um programa que prevê a oferta de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para exportadores.
Ao apresentar o pacote, Lula reiterou que o Brasil permanecerá na mesa de negociação com os Estados Unidos e afirmou que o país buscará novos mercados caso parte das exportações deixe de ser absorvida pelos norte-americanos.
"Nós vamos estar na mesa de negociação. (...) Nós não vamos ficar chorando o produto que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores."
Como o tarifaço repercute na campanha?
Durante o programa, Raquel Novaes também destacou a reportagem do The Washington Post que classificou o novo tarifaço como um possível trunfo político para Lula. Segundo o jornal, a medida tende a desgastar a candidatura de Flávio Bolsonaro, aliado de Donald Trump, ao mesmo tempo em que fortalece o discurso do presidente brasileiro.
Para Robson Bonin, porém, a prioridade imediata do governo deixou de ser a disputa política e passou a ser conter os impactos econômicos da crise comercial e preservar o ambiente de negociação com os Estados Unidos.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.











