Um dos suplementos mais estudados e citados entre quem difunde a cultura fitness, a creatina passou por mais uma prova de fogo. Desta vez, pelas mãos de pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual
Paulista (Unesp), que tiveram como alvo o seu suposto potencial anti-inflamatório. Mas ficou provado que esse efeito não se sustenta.
Os pesquisadores realizaram um conjunto de análises críticas e cruzamentos dos estudos existentes sobre o suplemento para verificar se havia evidências sobre uma possível atuação no estresse causado pelo exercício e no processo de inflamação crônica relacionada ao envelhecimento, como estudos recentes têm apontado.
O foco dos pesquisadores da Unesp foi nos efeitos do uso da creatina em biomarcadores inflamatórios presentes no organismo, como proteína C-reativa (PCR) e interleucina-6. No fim, o resultado apontou que os dados eram inconsistentes.
"Com base nas evidências atuais, a suplementação de creatina não reduz significativamente os biomarcadores inflamatórios em humanos", escreveram os pesquisadores no periódico científico Frontiers in Immunology.
O estudo, que recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), utilizou pesquisas sobre o suplemento executadas com rigor científico, ou seja, provenientes de periódicos que submetem as publicações à revisão por pares e apenas realizados com seres humanos. Assim, partiram de 789 ensaios e chegaram aos oito que formaram a base final de análise.
Todas as variantes foram avaliadas: diferentes dosagens e em durações variadas, indivíduos saudáveis e atletas. Depois, o trabalho foi verificado por dois revisores independentes.
"Embora alguns benefícios tenham sido observados em condições de resistência intensa, os resultados permanecem inconsistentes entre diferentes populações", disseram os autores.
Creatina funciona?
O estudo não teve como objetivo entrar na seara de mitos e verdades sobre a creatina, mas pincelou alguns dados que já são conhecidos na literatura científica.
A creatina não é uma bala de prata, mas, segundo os autores, é reconhecida por melhorar o desempenho em alguns cenários — o que não quer dizer que todas as pessoas devem fazer a suplementação —.
"Quando combinada com treinamento de resistência, a creatina promove de forma confiável ganhos de força e massa magra em diversas populações, incluindo adultos mais velhos", informaram.
Nos estudos vasculhados, a dose diária de 5 gramas demonstrou ser segura. Mesmo em protocolos que avaliaram doses de 21 gramas por dia ao longo de cinco dias, não houve relato de eventos adversos ou problemas de segurança.
Mas a meta mesmo era a compreensão da atividade anti-inflamatória, que até foi residual em atletas de resistência submetidos a sobrecargas, só que os "efeitos não se replicam em idosos, populações clínicas ou em contextos de suplementação a longo prazo".
Então, como em outros suplementos, vale lembrar que os melhores resultados para a saúde são obtidos com alimentação saudável, atividade física, evitando cigarro e bebidas alcoólicas, e consultando sempre um profissional se tiver o interesse de utilizar creatina, whey ou qualquer outro produto.













