A Globo vem intensificando, nos últimos anos, um movimento para aproximar sua programação do agronegócio e da música sertaneja, dois dos segmentos de maior força econômica e popular do país. Inicialmente
restrito ao Altas Horas e Globo Rural, o gênero passou a ocupar cada vez mais espaço na grade da emissora. Sem conseguir conquistar esse público, a Globo levou a estratégia para seu principal produto, mas nem uma novela inteiramente ambientada nesse universo foi suficiente para fisgar os fãs deste nicho.
Desde a estreia de Coração Acelerado, atual novela das sete que tem um agroboy como protagonista, a audiência ficou bem abaixo do esperado, mesmo com participações de nomes populares do gênero, como Ana Castela. O desempenho levou a emissora a promover ajustes na trama, reduzindo o número de apresentações musicais e intensificando o melodrama após pesquisas indicarem que parte do público considerava a narrativa lenta e excessivamente musical.
Leia também: A guinada conservadora na programação da TV Globo
A ofensiva não se limitou à novela. Nos últimos meses, o sertanejo passou a ocupar diferentes faixas da programação, com participações frequentes em programas como É de Casa e Em Família com Eliana, além de ganhar uma atração própria, Viver Sertanejo. A estratégia, no entanto, também não encontrou a repercussão esperada. Pelo contrário, passou a ser alvo de críticas pela "overdose" do gênero na grade da emissora.
A dificuldade não chega a surpreender. Historicamente, a relação entre a Globo e o sertanejo sempre foi marcada por distanciamento. Na tentativa de se aproximar de um público mais conservador e ligado ao agronegócio, a emissora tenta embarcar em um fenômeno cultural que já se consolidou por conta própria. Até agora, porém, a carona não levou a audiência que esperava.
(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)







