Maria Bethânia chega aos seus 80 anos nesta quinta-feira, 18, consagrada como uma das maiores cantoras da música brasileira. Conhecida por uma postura reservada, a irmã de Caetano Veloso sempre buscou
focar sua imagem quase que exclusivamente em sua arte. No entanto, ao longo de seis décadas de carreira, a "Abelha Rainha" não passou imune a polêmicas que ecoam na mídia e, de alguns anos para cá, nas redes sociais. Aproveitando o marco das oito décadas de vida da Rainha da MPB, a coluna GENTE reuniu cinco episódios marcantes em que o nome da cantora esteve no centro das atenções e longe dos palcos.
Resistência inicial (1965). A primeira grande polêmica da carreira de Maria Bethânia aconteceu no início da sua carreira. Em 1965, ela foi escolhida para substituir Nara Leão no espetáculo Opinião, um dos marcos da música de protesto no Brasil. A troca gerou desconfiança entre parte da crítica e do público, já que Nara era uma das artistas mais prestigiadas da época. A estreia de Bethânia, porém, teve efeito contrário ao esperado. Sua interpretação intensa de Carcará transformou a cantora em uma revelação nacional, enquanto a música virou um hino de resistência implícita contra a ditadura militar recém-instalado.
É o Amor (1990). No fim dos anos 1990, a intelectualidade e os críticos mais puristas da MPB se surpreenderam quando Bethânia decidiu gravar e incluir em seu show A Força Que Nunca Seca o clássico sertanejo É o Amor, de Zezé Di Camargo & Luciano. A escolha foi considerada uma "heresia" por parte da elite cultural da época, que via o gênero como menor. Sem dar satisfações, a intérprete deu voz ao sertanejo e propagou o hit que já era um clássico brasileiro.
Blog de poesia e a Lei Rouanet (2011). A maior polêmica da carreira de Bethânia surgiu quando o Ministério da Cultura autorizou a captação de 1,3 milhão de reais via Lei Rouanet para o projeto O Mundo Precisa de Poesia, um blog de vídeos com leituras de poemas. O valor gerou forte repercussão e abriu um debate nacional sobre financiamento público à cultura. Diante do desgaste e do linchamento virtual, a cantora acabou desistindo do projeto.
Lives na pandemia (2021). Enquanto a maioria dos artistas se voltou para as redes sociais e fez dezenas de shows online durante o confinamento da Covid-19, Bethânia adotou um isolamento absoluto e um silêncio em sua casa no Rio de Janeiro. A recusa inicial em participar do formato digital gerou debates e pedidos dos fãs. Quando finalmente a cantora decidiu se juntar ao bloco das lives, o hiato foi compreendido como o respeito dela ao luto coletivo que o momento exigia.
Explosão no palco (2025). Durante a histórica turnê conjunta Caetano & Bethânia, em março do ano passado, a cantora baiana protagonizou um momento tenso com a equipe técnica em uma apresentação no Rio de janeiro. Irritada com problemas de retorno e microfonia, ela interrompeu o show, disparando: "Para mim está um horror, só tem chiado no meu ouvido. Não é absolutamente o som que eu estava cantando. Quer me desafiar, ficaram zangados comigo ontem no ensaio porque eu briguei. Sinto muito, mas é uma vergonha, no Rio de janeiro, a gente voltar e acontecer isso. Não dá para cantar. E acabou. Chama Caetano para fazr o final do show". O episódio dividiu opiniões e escalou quando o cantor Ed Motta usou as redes sociais para criticá-la publicamente, alegando que a sua postura com técnicos e músicos nos bastidores era historicamente rígida.












