Na reta final de Três Graças, alguns personagens que começaram importantes, movimentaram os primeiros capítulos, aos poucos, desapareceram da trama sem grandes conflitos ou função dramática clara. A coluna
GENTE destaca Amaury Lorenzo, Samuel de Assis e Enrique Diaz.
Como Gilmar, motorista e um dos melhores amigos de Gerluce (Sophie Charlotte), o personagem de Amaury foi apresentado como possível interesse amoroso da protagonista e figura importante no cotidiano da comunidade da Chacrinha. No início, havia espaço para conflitos afetivos, ciúmes e até um triângulo amoroso com o policial Paulinho (Rômulo Estrela). Só que o arco nunca deslanchou. Gilmar virou um eterno escudeiro da mocinha, mas raramente tinha um drama próprio.
Escalado como João Rubens, Samuel de Assis formava um dos raros casais LGBTQIA+ do núcleo principal ao lado de Kasper, personagem de Miguel Falabella. Os dois surgiram como galeristas sofisticados da Zona Oeste paulistana e pais adotivos de Maggye (Mell Muzzillo), numa trama que prometia discutir arte, elite cultural e parentalidade. Só que a novela parece nunca ter encontrado espaço para aprofundar esse núcleo. João Rubens acabou reduzido a participações decorativas em jantares, eventos sociais e conversas de apoio ao marido.
Já Enrique Diaz deu vida ao Pastor Albérico, personagem que inicialmente parecia ter potencial para movimentar discussões morais e políticas dentro da comunidade. Porém, o personagem acabou ficando restrito a aparições episódicas e frases de efeito. Sem vilania assumida, segredo bombástico ou grande virada, Albérico virou quase um figurante na reta final, desperdiçando o peso cênico de um dos atores mais respeitados da dramaturgia brasileira.











