Durante décadas, Carolina Ferraz esteve associada a personagens sofisticadas e ao posto de símbolo de elegância nas telas. Aos 58 anos, porém, ela vive uma nova fase. Longe das novelas desde 2016, divide
a rotina entre projetos como apresentadora, novos empreendimentos e o desenvolvimento de produções próprias para o audiovisual. Embora diga que vai “morrer atriz”, Carolina reconhece que sua atuação profissional ganhou novos contornos. Em entrevista à coluna GENTE, ela fala sobre a decisão de se afastar das novelas, a transição para o universo dos negócios, o prazer que descobriu ao entrevistar pessoas e os planos envolvendo um projeto voltado ao agronegócio brasileiro.
Você deixou de se ver apenas como atriz? Me considero uma atriz e vou morrer atriz. Estou louca para atuar novamente. Já estou estudando textos para teatro, pensando em participações em minisséries e filmes. O que não quero mais fazer é novela. É muito duro, ocupa um espaço enorme da sua vida física e emocionalmente.
Então não voltaria para uma novela? Nunca digo nunca, mas a do jeito tradicional não me interessa mais. Hoje penso mais em teatro, séries e projetos mais curtos.
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Como se define profissionalmente hoje? Sou uma pessoa com muitos recursos e gosto de utilizá-los. Fiz uma transição de carreira sem perder minhas raízes. Continuo atriz, mas também tenho novos negócios e descobri um enorme prazer em entrevistar pessoas.
Como surgiu essa veia empreendedora? Todo ator acaba sendo empreendedor. Durante muitos anos, eu mesma produzi meus projetos. No Brasil, não existe a figura do agente que planeja a carreira do artista. Se você quer trabalhar, precisa criar oportunidades.
Você interpretou muitas personagens ricas. Isso limitou sua carreira? Não. Existe uma tendência de escalar atores a partir de características físicas. Talvez achassem que eu tinha cara de rica e me davam esses papéis. Mas consegui ampliar esse espaço quando comecei a fazer comédia. Sempre busquei extrapolar barreiras e experimentar coisas diferentes.
Como vê o sucesso do bordão “Eu sou rica”? Adoro. Acho ótimo que tenha atravessado gerações. Quando alguém me pede para repetir a frase, nunca grito sozinha. Gosto de transformar aquilo em algo coletivo, quase um mantra.
Como foi sua saída do Domingo Espetacular? Minha relação com a Record é ótima. Foi apenas o encerramento de uma fase e a abertura para outras possibilidades.
Existe um novo projeto em negociação com a emissora? Sim, um projeto chamado Agro 3.0. A proposta é mostrar um agro sustentável, tecnológico e responsável, destacando brasileiros que fazem um trabalho sério e inovador.
O objetivo é melhorar a imagem do agro? Não. Quem faz coisa errada precisa ser responsabilizado. O objetivo é mostrar exemplos positivos que não ganham visibilidade. O Brasil produz muita coisa boa em várias áreas, e eu acho importante contar essas histórias.
Você se considera apresentadora hoje? Depois de seis anos no Domingo Espetacular, sim. Foi uma conquista construída com muito estudo e dedicação. Eu me cobrava bastante para melhorar entrevistas e aprofundar assuntos.
Como consegue conciliar tantos projetos com a vida pessoal? Tenho uma regra: às oito da noite desligo. Não atendo telefone, não resolvo trabalho. A partir desse horário, me dedico à família. Em compensação, acordo muito cedo e organizo meu dia.
Como lida com o envelhecimento? Nunca escondi minha idade. Tenho 58 anos e quero ser uma linda mulher de 58 anos. Não pretendo ter 20 nem fingir que tenho. Eu me cuido muito, gosto de uma beleza mais natural, cuido da alimentação, da pele e da saúde.
Sente pressão por ter sido um símbolo de beleza? Na verdade, acho libertador envelhecer com tranquilidade. Claro que não é fácil. O corpo muda, a aparência muda. Mas o tempo vai passar de qualquer jeito. Prefiro aceitar isso e viver bem cada fase da vida.
Como está sua relação com a Globo após o processo judicial? Esse assunto corre em segredo de Justiça. Eu fiz o que considerei correto, lutei pelos meus direitos de forma ética e equilibrada. Hoje isso está superado.
Tem recebido convites para novos trabalhos como atriz? Sim. Estou avaliando possibilidades.
Hoje se considera mais atriz ou mulher de negócios? Sem dúvida, uma mulher de negócios. Continuo atriz, mas estou envolvida em várias frentes. Recebi propostas para novos empreendimentos, faço palestras sobre transição de carreira e tenho desenvolvido projetos muito diferentes entre si.













