Uma injeção aplicada a cada seis meses irá ampliar o arsenal terapêutico contra a asma e a rinossinusite crônica no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de autorizar o lançamento
do medicamento depemoquimabe, que será comercializado como Densurko.
Desenvolvido pela farmacêutica GSK, o remédio de ação ultralonga é indicado a quadros de asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais associados à inflamação do tipo 2 - uma reação do sistema imune que dispara e perpetua essas condições, levando, por exemplo, a dificuldades para respirar.
Enquanto a asma é marcada por um processo inflamatório e estreitamento das vias aéreas nos pulmões, a rinossinusite crônica acarreta obstruções no interior das narinas e seios nasais, comprometendo a entrada de ar e até mesmo o olfato.
O depemoquimabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia especificamente uma substância que desata o circuito inflamatório no sistema respiratório. Foi aprovado no país como terapia complementar em casos não controlados de asma e rinossinusite associadas à inflamação tipo 2.
Trata-se do primeiro medicamento dessa natureza administrado com injeções subcutâneas a cada seis meses.
“O que essa nova terapia oferece é uma mudança de paradigma. Estamos falando de uma terapia que, ao agir na raiz da inflamação tipo 2, busca não apenas controlar a doença, mas devolver a liberdade ao paciente”, diz Elisama Baisch, gerente médica da GSK Brasil.
A autorização se ampara em dados de estudos clínicos que demonstraram a segurança e a eficácia da droga em pacientes com as duas doenças respiratórias.
Sua inclusão no regime padrão de tratamento obteve quedas no número de crises de asma na ordem de 50%, em média, ao longo de quase um ano.
“Existem aproximadamente 20 milhões de pessoas com asma no Brasil e só 12% desses pacientes estão com a doença controlada. Isso porque a grande maioria acha que a asma é simplesmente uma bronquitezinha e só usa medicação de resgate quando está em crise, sendo que o tratamento deve ser contínuo”, contextualiza o pneumologista José Eduardo Cançado, professor da Santa Casa de São Paulo.
No caso da rinossinusite, os pesquisadores observaram diminuição do tamanho dos pólipos nasais e da obstrução da entrada de ar, bem como a redução na necessidade de uso de remédios com efeitos colaterais expressivos, como os corticoides.
“Novas terapias com imunobiológicos, esses medicamentos desenvolvidos para atuar de forma direcionada em mecanismos específicos da inflamação, vêm apresentando resultados promissores principalmente em pacientes com pólipos nasais graves ou doença de difícil controle”, comenta o otorrinolaringologista Edwin Tamashiro, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.











