As chances de que o planeta enfrente um dos episódios de El Niño mais intensos já registrados aumentaram significativamente, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus , da União Europeia. A atualização
desta quarta-feira, 10, indica que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode atingir níveis comparáveis aos maiores eventos da era moderna, elevando o risco de secas, enchentes e ondas de calor em diversas regiões do mundo.
"De 1º de maio a 1º de junho, todos os modelos efetivamente revisaram suas previsões para cima", disse à agência de notícias AFP o diretor do Copernicus, Carlo Buontempo. Segundo ele, "as probabilidades favorecem fortemente um evento moderado a forte ou, provavelmente, forte a ponto de quebrar recordes".
O novo alerta reforça o aviso feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, no início do mês. A entidade já havia apontado alta probabilidade de um El Niño forte entre os próximos meses e defendido medidas urgentes de preparação diante do avanço dos eventos climáticos extremos.
A atualização do Copernicus mostra que 75% dos centros globais de previsão que contribuem para o monitoramento do fenômeno projetam que a temperatura da superfície do mar em partes do Pacífico poderá ficar ao menos 2,5°C acima da média até novembro.
Caso esse cenário se confirme, o episódio entrará para um grupo extremamente restrito. Desde o primeiro grande El Niño documentado na era moderna, em 1877/1878, apenas três eventos ultrapassaram a marca de 2°C de aquecimento: os de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016.
Os dois últimos ficaram marcados por consequências severas em escala global, incluindo secas prolongadas, perdas agrícolas, enchentes e recordes de temperatura.
ONU em alerta
No início do mês, a OMM informou haver 80% de probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto e avaliou que o episódio deverá ser "ao menos moderado, e até forte".
"Precisamos nos preparar para um possível evento El Niño forte, que exacerbará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano", afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, à época.
A agência também advertiu que o fenômeno poderá contribuir para a manutenção de temperaturas acima do normal em grande parte do planeta, ampliando os riscos de estresse térmico, agravamento de estiagens e ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos.
O último episódio de El Niño ocorreu entre 2023 e 2024, período que coincidiu com os dois anos mais quentes já registrados globalmente.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial central e oriental. Essa mudança altera padrões de circulação atmosférica, afetando regimes de chuva, ventos e temperaturas em diferentes partes do planeta.
Na prática, seus impactos costumam incluir períodos de seca mais severa em algumas regiões, chuvas intensas e enchentes em outras, além da intensificação de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos.













