O câncer tem se consolidado como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. Segundo estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 781 mil
novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, o que reafirma o crescimento da incidência e o impacto dessa enfermidade na vida das pessoas e no sistema de saúde pública brasileiro.
A boa notícia é que mais de um terço de todos os casos de câncer no mundo é prevenível, de acordo com análise da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero representam quase metade desses casos.
Isso significa que milhões de casos fatais de câncer todos os anos poderiam ser evitados por meio de intervenções médicas, mudanças de comportamento, redução de riscos ocupacionais e combate a poluentes ambientais.
Segundo a OMS, houve quase 19 milhões de novos casos de câncer, em 2022. Aproximadamente 38% deles estavam relacionados a 30 fatores de risco modificáveis. Entre eles estão: tabagismo, consumo de álcool, índice de massa corporal elevado, atividade física insuficiente, uso de tabaco sem fumaça (como tabaco de mascar), amamentação inadequada, poluição do ar, radiação ultravioleta, agentes infecciosos e mais de uma dezena de exposições ocupacionais.
Em primeiro lugar no ranking dos fatores preveníveis associados ao câncer está o tabaco. Ele aparece relacionado a 15% de todos os casos de câncer naquele ano. Entre os homens, o risco foi particularmente alto: o tabagismo contribuiu para 23% de todos os novos casos de câncer no mundo nesse grupo. Depois do tabagismo, o segundo principal fator de risco prevenível foi o consumo de álcool, responsável por 3,2% de todos os novos casos de câncer (cerca de 700 mil casos).
Outro fator a ser considerado é a poluição do ar. Seu impacto varia conforme a região. No Leste Asiático, por exemplo, cerca de 15% dos casos de câncer de pulmão em mulheres foram atribuídos à poluição do ar. Já no Norte da África e no Oeste da Ásia, aproximadamente 20% dos casos de câncer de pulmão em homens tiveram essa mesma causa.
As infecções, por sua vez, estiveram associadas a cerca de 10% dos novos casos de câncer. Entre as mulheres, a maior parcela dos cânceres preveníveis foi causada pelo HPV de alto risco, que pode levar ao câncer do colo do útero.
O avanço do câncer no Brasil, mesmo e m população mais jovem, é um alerta à necessidade de ações contínuas e integradas que priorizem não apenas o tratamento, mas, sobretudo, a prevenção e o diagnóstico precoce — estratégias comprovadamente eficazes para salvar vidas e reduzir o impacto dessa doença na sociedade brasileira.
Saúde é prevenção!
Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, inaugurou a Med-Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico e medicina preventiva. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, é membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e coautor de livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis). Ururahy é diretor da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Rio) e Chairman do Comitê de Saúde e diretor da Câmara de Comércio França-Brasil e Coordenador do Comitê de Saúde.











