Fala, pessoas!
Na semana passada, gravei uma propaganda do MEC sobre as inscrições do ENEM 2026. Uma daquelas gravações em que você repete o mesmo trecho várias vezes, todo mundo prestando atenção em enquadramento,
luz, marcação...
Até que, em uma das tomadas, uma das atrizes falou a palavra gratuito com o i bem marcado: gra-tu-Í-to. Pausa. Os roteiristas se entreolharam e me perguntaram: "Professor, está certo assim
?"Ali, no meio do set, virou aula. E agora vira coluna para você.
Qual é a pronúncia correta?
A pronúncia adequada é gra-TUi-to, com a tônica no TU, a segunda sílaba. Sem discussão. Quem quiser seguir a ortoépia, que é a pronúncia recomendada pela norma padrão, não pode ter dúvida quanto a isso.
O mesmo vale para palavras da mesma família: fortuito, intuito, circuito, fluido.
Então por que tanta gente fala gra-tu-Í-to?
Quando muita gente erra da mesma forma, o erro deixa de ser só um erro e passa a ser um fenômeno. E esse fenômeno tem nome: hipercorreção.
É o que acontece quando o falante, tentando soar culto, acaba forçando uma pronúncia que não existe na norma. Ele não está sendo descuidado. Está fazendo o oposto: está se esforçando demais. E esse esforço, paradoxalmente, é o que o faz errar.
O dicionário Houaiss aponta que o gra-tu-Í-to é especialmente comum em São Paulo e atribui exatamente a isso: o desejo de falar "bonito" que leva o falante a julgar errada justamente a forma correta.
O que o set de gravação me lembrou
Quem fala gra-tu-Í-to não está sendo descuidado, está fazendo exatamente o que o Houaiss descreve: tentando soar correto. E é justamente por isso que esse tipo de dúvida merece explicação, não apenas correção.
Entender por que erramos é mais valioso do que saber que erramos. Porque quando você compreende o mecanismo, para de errar de vez.
Você pronunciava gra-TUI-to ou gra-tu-Í-to?
Nos vemos na próxima coluna.
Até mais!
Professor Noslen Borges
www.professornoslen.com.br
Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha











