Um estudo com participação de pesquisadores do Instituto Butantan revelou que Minas Gerais, São Paulo e Bahia concentram atualmente as áreas de maior risco para acidentes causados por picadas de escorpião
no Brasil. A pesquisa analisou dados dos 5.570 municípios do país entre 2012 e 2024 e identificou um crescimento expressivo dos casos ao longo dos últimos anos.
Segundo o levantamento, foram registrados mais de 1,7 milhão de acidentes e 1.230 mortes no período analisado. A taxa nacional de incidência saltou de 31 para 142 casos por 100 mil habitantes, um aumento de 349% em 12 anos. Os pesquisadores associam esse avanço a fatores climáticos, ambientais, urbanos e sociais que favorecem a proliferação dos escorpiões, especialmente em áreas urbanizadas.
Locais mais afetados
As regiões mais críticas estão localizadas no sul da Bahia, no norte de Minas Gerais e no noroeste do estado de São Paulo. Nessas áreas, o crescimento dos registros tem sido acelerado, impulsionado por condições como temperaturas elevadas, baixa pluviosidade e intensa urbanização. No caso paulista, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), principal espécie responsável pelos acidentes no país, encontra ambiente favorável para sua reprodução e disseminação.
O estudo também destaca que Minas Gerais apresenta um número significativo de mortes relacionadas ao escorpionismo, sobretudo na região norte do estado. As crianças de até 9 anos formam o grupo mais vulnerável aos casos graves e aos óbitos provocados pelo veneno.
No Nordeste, a Bahia lidera as áreas de risco. Além da região sul do estado, os pesquisadores identificaram uma tendência de crescimento dos acidentes no norte baiano entre 2018 e 2024. A presença predominante do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus), associada ao clima quente e seco, contribui para o aumento das ocorrências.
Os especialistas observaram ainda que os municípios classificados como de alto risco compartilham características semelhantes, como menor cobertura vegetal, temperaturas mais altas e indicadores sociais menos favoráveis. Apesar disso, o estudo aponta que os escorpiões possuem grande capacidade de adaptação, o que facilita sua sobrevivência em diferentes ambientes urbanos.
Prevenção
A pesquisa reforça a importância de medidas preventivas, como evitar o acúmulo de lixo, entulho, folhas secas e materiais de construção. Em caso de picada, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, especialmente quando a vítima for uma criança. O tratamento rápido é considerado fundamental para reduzir o risco de complicações graves.











