Em meio a tantas estrelas cintilantes no tapete vermelho do Oscar, em março, Bruna Marquezine mostrou o poder do engajamento brasileiro. A foto da atriz publicada pela Academia acumula mais de 512 000
curtidas e 34 000 comentários no Instagram. Mesmo sem concorrer a estatuetas, a fluminense de Caxias — que integra o júri da premiação — superou a vencedora na categoria melhor atriz, Jessie Buckley (com 218 000 likes), Emma Stone e Nicole Kidman na rede social. Trajada com um vestido todo trabalhado no strass assinado pela Gucci, Bruna apostou num simples detalhe para compor o look que roubou a cena: um mix de piercings nas orelhas. No total, a diva de 30 anos tem catorze furos nas orelhas, em pontos como hélice, escafa e concha, além dos lóbulos. Autora do projeto auricular ou da curated ear da artista — nomes para designar a tendência de adornar essa parte do corpo com joias em prata, ouro e brilhantes —, a body piercer Viviane Silva estudou ourivesaria para criar peças exclusivas, anatômicas e sem tarraxa. Para ela, o piercing deixou de ser expressão de jovialidade e rebeldia para virar artigo de luxo com design elegante. “O segredo da composição é a simetria. Tento criar um degradê do maior para o menor. Para quem tem muitos furos, indico joias mais delicadas. Já quem tem menos pode apostar em modelos grandes”, sugere a profissional, que já perfurou as orelhas de Sabrina Sato, Ana Furtado, Flávia Alessandra e Luciana Gimenez.
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Repaginado, o adorno voltou com tudo — em versões bem diferentes dos modelos de aço cirúrgico que despontaram nos anos 2000. Dados do Sebrae mostram que, entre 2019 e 2022, o número de estúdios dedicados a tatuagens e piercings cresceu 35% no país, com São Paulo, Minas Gerais e Rio no topo do ranking. O instrumento utilizado está mais moderno e tem o aval da Anvisa: uma agulha americana de metal, descartável e afiada a ponto de fazer perfurações de 1 milímetro. “O Brasil tem a tradição de furar as orelhas das meninas assim que elas nascem. Hoje, esse corte consegue ser perfeito”, assegura Viviane, que tem um ateliê em São Paulo e faz atendimentos particulares no Rio. No catálogo da body piercer, os valores das joias vão de 350 reais no modelo básico, de titânio, a 750 reais, em ouro e zircônia. Há opções feitas sob encomenda, como um brinco de diamantes escolhido por Sabrina Sato, que custou mais de 18 000 reais. Joalherias como Monte Carlo, Vivara e Beatriz Werebe, grife queridinha de Taís Araújo e Sasha Meneghel, também embarcaram nesse modismo. “Hoje existem possibilidades sofisticadas, discretas e estilosas, que combinam com diferentes momentos e versões da gente. Pela primeira vez, assumo todos os meus piercings numa novela”, conta a atriz Flávia Alessandra, com nove furos de um lado e apenas um no outro. Ela interpreta Fábia em Quem Ama Cuida, o novo folhetim das 9.
O estilo de vida de quem usa os piercings pode influenciar na cicatrização, processo que leva de três meses a um ano. Não é recomendado usar capacete nem tomar banho de mar — hábitos 100% cariocas, veja bem — entre quinze e trinta dias depois de colocar os apetrechos. “As pessoas subestimam o impacto do atrito contínuo. Fones de ouvido, acessórios na cabeça, dormir sobre o piercing e a manipulação excessiva prolongam o tempo de cicatrização e aumentam o risco de complicações”, alerta a dermatologista Daniela Alvarenga, colunista de VEJA RIO. Furos em áreas menos vascularizadas, como cartilagens, ela explica, exigem cautela e devem ser encarados como pequenos procedimentos. “Não se trata apenas de um acessório estético, mas de uma perfuração na pele”, reforça a médica, que aprova os piercings com ressalvas — a escolha de um estúdio confiável é fundamental. Diretora criativa da Cosmo Rio, marca de moda praia, Lúcia Costa Pereira, 40 anos, comprou um travesseiro com um buraco no meio para poder dormir de lado. “Hoje temos mais acesso a informação, então é mais fácil fazer e mantê-los”, observa a empresária, que tem furos irreverentes nas duas orelhas feitos em São Paulo, com a body piercer Amanda Fittipaldi, e em Nova York. “É um acessório descomplicado. Antes, imprimia identidade. Agora, exalta a beleza natural. Gosto de ter um brilhinho nas orelhas”, encerra a carioca, que também já ostentou brincos na sobrancelha e na língua. Pequenos detalhes fazem a diferença.
Um detalhe mínimo
Dicas e cuidados para aderir à tendência
Aposte na assimetria. “Uma orelha mais clássica e outra cheia de personalidade, como escolheu Flávia Alessandra, é um caminho”, observa Viviane Silva, body piercer mineira com ateliê em são Paulo e clientes no Rio.
Prenda o cabelo. Coques e rabos de cavalo ajudam a realçar a beleza natural da mulher e a destacar a tendência das curated ears.
Vá com calma. A calibragem das perfurações com a agulha americana pode variar de 1 a 1,6 milímetro. Mesmo com tal precisão, não é indicado fazer dois furos no mesmo dia ou ainda em orelhas diferentes de uma só vez.
Atenção à cartilagem. A cicatrização é mais demorada, porque a área tem menos irrigação sanguínea. “Quanto mais perto da borda da orelha, mais longo é o processo em função do atrito”, explica a dermatologista Daniela Alvarenga. Na parte interna, os adornos ficam protegidos pela própria anatomia da orelha e a tendência é recuperar mais rapidamente.
É joia, sim. A Vivara oferece peças entre 170 reais, em aço dourado, a 2 790 reais, em ouro 18 quilates.
Na Monte Carlo, a argola em ouro amarelo 18 quilates sai a 3 490 reais e a de ouro rosé com turmalina rosa e topázio verde custa 4 400 reais.











