A oferta de carros híbridos no Brasil aumentou bastante nos últimos tempo e, junto com isso, a variedade de sistemas que ajudam os motores a combustão
a serem mais econômicos. A dificuldade de destacar essas diferenças é o que vem fazendo com que os próprios fabricantes criem nomes para diferenciar seus carros.
Vale de tudo, até mesmo criar novas designações como "super híbrido" e "ultra híbrido".
Antigamente, cada fabricante tinha uma designação para os motores flex dos seus carros. Os Chevrolet eram "FlexPower", os Volkswagen eram "TotalFlex" e os Renault eram os "Hi-Flex". Todos eles, porém, eram carros que podiam queimar álcool e gasolina no motor em qualquer proporção. Tudo igual.
O que é super híbrido?
Os "super híbridos" também vão por este caminho. Esse termo foi utilizado no Brasil primeiro pela BYD com seus carros com sistema DM-i (como os Song e o King), mas também é usado pelos Jetour e Omoda a nível global, como significado para a sigla "SHS", e pela Geely, com o EX5 EM-i. Na prática, porém, todos eles são carros híbridos plug-in.
Os híbridos plug-in têm o motor a combustão combinado a um câmbio com um ou mais motores elétricos integrados a ele. Isso não impede que haja um ou dois motores acionando as rodas traseiras. Como há um conjunto de baterias com grande capacidade (entre 16 e 60 kWh, geralmente), o veículo pode rodar por um longo período sem ligar o motor a combustão.
Há outros cenários de uso, como a combinação do motor elétrico com o térmico para mover o carro ou mesmo quando o motor térmico trabalha apenas para gerar eletricidade.
Mesmo entre os dois autointitulados super híbridos há diferenças. Nos Omoda e Jaecoo, a força do motor a gasolina chega à roda por meio de um câmbio de uma marcha. Nos BYD, o câmbio emula o funcionamento de um câmbio CVT.
O que é ultra híbrido?
Essa terminologia é ainda mais recente e, no Brasil, só é usada pelo Leapmotor C10 REEV. Este SUV é o que pode ser chamado, tecnicamente, de elétrico com autonomia estendida (EREV). Neste caso, a força do motor a combustão nunca chega às rodas: só o motor elétrico move o carro.
A justificativa para isso é que o motor a gasolina pode trabalhar sempre nos seus regimes de maior eficiência, sempre acionando um gerador, que pode alimentar diretamente o motor elétrico e ter a sobra de energia acumulada em uma bateria. Como a força do motor a gasolina não chega às rodas, não há necessidade de câmbio.
É esse tipo de tecnologia que a Leapmotor chama de ultra híbrido, mas ele não é exclusivo da marca chinesa. No passado, o BMW i3 usava a mesma concepção mecânica e, hoje, há diversos carros chineses de grande porte que usam o motor a combustão apenas para gerar energia, como o BYD Yangwang U8.
O que é um carro híbrido?
Se o motor a combustão tem a assistência ou trabalha em conjunto com um motor elétrico, o carro é híbrido. O nível dessa assistência é que define os diferentes tipos de sistemas híbridos.
Há sistemas de baixa tensão (12V e 48V), que são os híbridos leves (MHEV) e que raramente são capazes de tracionar as rodas sozinhos. Neles, a assistência elétrica se resume aos momentos de aceleração e, no máximo, a manter velocidades constantes em rodovia.
Na sequência estão os híbridos plenos (HEV), que têm um motor elétrico maior e mais potente integrado ao câmbio, podendo ser capaz de mover o carro sozinho por um curto período, devido à bateria de menor capacidade - o que ajuda o carro a ser mais leve e barato que outros híbridos. Nestes, o ganho de desempenho e melhora no consumo são mais notáveis e a bateria dispensa a recarga externa.
O que não muda entre os híbridos é a dependência da carga da bateria para que o carro possa entregar seu máximo desempenho. Quando o estado de carga (SoC) da bateria está baixo, o carro limita ou até mesmo corta totalmente a utilização do motor elétrico para mover o carro, deixando o esforço de mover o carro apenas para o motor a combustão. Isto, porém, só costuma acontecer em situações contínuas que exigem muita potência, como subidas de serra ou longas e constantes acelerações.











