A Mercedes-Benz pode se tornar um alvo acidental da ofensiva do governo dos Estados Unidos para conter a influência chinesa na indústria automotiva dos Estados Unidos.
Um projeto de lei em tramitação no Congresso americano — a Lei de Modernização de Veículos Motorizados — quer barrar montadoras ligadas a governos considerados adversários, e a medida protecionista pode atingir em cheio a fabricante alemã.
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O problema não é a fábrica, e sim a composição acionária
O foco da proposta não está em onde os carros são produzidos. A Mercedes mantém forte presença industrial em solo americano: monta veículos no Alabama há décadas, opera uma fábrica de vans na Carolina do Sul e emprega cerca de 10 mil pessoas no país. Há pouco, celebrou 5 milhões de unidades fabricadas nos EUA e transferiu para lá a produção do SUV GLC.
O obstáculo está na composição acionária da matriz, que traz participações da BAIC — empresa estatal controlada pelo governo chinês — detém pouco menos de 10% das ações da Mercedes. Além disso, Li Shufu, presidente da fabricante chinesa Geely, tem outra fatia de quase 10% do bolo.
Há cinco anos, isso não seria um problema. A legislação prevê isenções para montadoras tradicionais que produzem nos EUA há anos — mas uma cláusula específica anula a proteção quando a empresa tem propriedade, direta ou indireta, vinculada a um governo adversário. Segundo a CNBC, é justamente nesse ponto que a participação da BAIC abre espaço para questionamentos.
O CEO da Mercedes, Ola Källenius, diz estar confiante de que a questão será resolvida sem grandes dramas. O executivo afirma que a companhia pode ajustar sua estrutura de propriedade, se for necessário, e já negocia com os legisladores para preservar a operação. O mercado americano é vital para a alemã, que emplacou mais de 300 mil veículos de passageiros no país no ano passado e quer ampliar o número.










