A CFMoto é a mais nova marca chinesa de motos no Brasil, e suas primeiras motos serão oficialmente lançadas no próximo dia 28, às 19h, durante uma transmissão
ao vivo no canal oficial da marca no YouTube. Quatro são os modelos a serem anunciados e, assim como toda novidade, estes têm a missão de conquistar o consumidor para comercializar. Porém, no mercado brasileiro, uma barreira extra existe para alguns orientais: o receio com os produtos chineses.
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O mercado brasileiro é dominado pelas japonesas, que, por filosofia, contam com processos rigorosos de melhoria contínua (Kaizen), dedicação à obra e outros que vieram com as fabricantes quando cruzaram o Atlântico. Algumas, como Honda e Yamaha, estão por aqui há mais de 50 anos e conquistaram os consumidores com sua disponibilidade de modelos, itens e estrutura.
As marcas chinesas tiveram uma história diferente desde sua chegada. Como já trouxemos aqui no Auto Papo, a Shineray foi uma das primeiras a chegar no Brasil, há pouco mais de 20 anos, e se estabelecer. Porém, principalmente no início dessa instalação, a marca foi muito questionada e criticada pela disponibilidade de peças, produtos e serviços. Segundo especialistas e usuários, a qualidade das primeiras motos da marca não agradou, e conseguir itens para manutenção nem sempre era fácil. Hoje, com mais de 400 lojas e uma fábrica nacional em operação, essa imagem ainda não foi totalmente apagada.
Mais recente no mercado, a Haojue também sofre suas críticas, principalmente por ser constantemente associada à sua matriarca Suzuki (japonesa), que é focada em modelos mais robustos e eficientes, enquanto a chinesa é voltada para motos mais simples e baratas.
A Chegada da CFMoto
Em um aspecto inicial mais feliz, chegou a CFMoto. Diferente das conterrâneas, a mais nova marca de motos chinesa do Brasil teve bons olhares por parte do público, que ficou muito cativado por suas propostas e, principalmente, por sua tão aguardada Ibex 450.
Conhecida internacionalmente como 450 MT, a Ibex é a moto mais aguardada da CFMoto, tanto que, durante a apresentação oficial da marca para o mercado nacional, no Festival Interlagos 2025, ela foi o grande destaque. O modelo foi reconhecido internacionalmente pelo seu conjunto mecânico, capacidade off-road real e impacto no mercado global de motocicletas pelo Top Gear PH Awards, das Filipinas.
As outras motos da marca também não ficam para trás, afinal seguem uma linha premium. As CFMoto Ibex 450, Ibex 700, CLC 450 e CLC 450 Bobber ainda não tiveram seus preços anunciados, mas certamente não irão concorrer entre as motos mais simples do mercado.
Instalação no Brasil
Quase um ano após seu primeiro contato oficial, a CFMoto está prestes a apresentar seus modelos e suas oito primeiras concessionárias.
Inicialmente, a fabricante prevê um lote de 4.600 motocicletas. Para amparar o consumidor, a marca anunciou há algumas semanas que reforçou sua estrutura com um estoque de peças para motocicletas com mais de 35 mil unidades, distribuídas em cerca de 1.500 itens diferentes. Segundo a chinesa, o abastecimento inicial suportará o ritmo de comercialização.
O sucesso da CFMoto
Para o especialista em motos e colega de profissão Marcelo Barros, mente por trás doMotor do Mundo, a marca já possui seu reconhecimento internacional, mas o sucesso no Brasil depende de muitos fatores.
Tudo ainda é muito imprevisível. E eles são um grupo que representa a marca, não é uma subsidiária, como a gente vê em outras fabricantes, por exemplo”, afirmou Marcelo. “Lá fora, a marca já é consolidada. Você vai para Argentina, Uruguai e vê as motos rodando normalmente. Existe um público muito ansioso para ter acesso a essas motos, principalmente a Ibex 450, que é uma trail muito aguardada. Só que agora eles saíram dos quadriciclos e UTVs que eles já comercializam há alguns anos aqui e entraram em uma ‘briga de cachorro grande’, e os clientes desse segmento são mais exigentes.”
No Brasil, a CFMoto não é representada oficialmente por uma subsidiária, mas sim pelo Grupo Unique, que já trabalha com produtos off-road da marca.
“Uma subsidiária tem mais poder. Se a Bajaj [por exemplo] quiser acelerar a operação, a matriz injeta dinheiro, amplia a fábrica, subsidia o produto. Um distribuidor depende muito do relacionamento com a matriz para conseguir esse tipo de apoio”, salientou o especialista.
Mesmo com essa possibilidade, Marcelo salientou que a forma como a marca busca se fixar no Brasil é eficiente. Segundo ele, a estratégia de já contar com uma linha de montagem e se preocupar com um estoque de peças antes mesmo do início das vendas já mostra um profissionalismo do grupo, que já é experiente no mercado.
Barros também destacou a qualidade dos modelos da marca e apontou que uma vantagem é a parceria com outras marcas.
“E eu andei nas motos e as achei boas. Tive uma boa impressão. Eles têm muitas parcerias. Se você olhar a CLC 450, os desenhos, acabamento do motor, tem muito de Triumph. Existe muita troca de tecnologia entre eles e a Triumph. A Ibex 800 que eu andei é absurda, usa base de motor KTM. Você olha a moto e vê claramente a influência da 790 Adventure.”
A parceria entre as motos tem capacidade de influenciar o valor das peças de manutenção e, quem sabe, até facilitar o acesso, uma vez que assim pode ser que motos das marcas parceiras compartilhem peças. Se isso acontecer, a CFMoto sai em vantagem, pois o consumidor poderá optar por peças adquiridas em outras marcas já mais consolidadas.
Ainda com todos os pontos positivos, a capacidade de atendimento da rede de concessionarias e entrega de motos e peças dentro dos prazos é o maior desafio da marca.
CFMoto promete estar preparada para o Brasil
Questionamos a CFMoto a sobre a posição da marca no mercado nacional, se ela estaria preparada para esse preconceito que o brasileiro tem com marcas chinesas. A marca diz acredita chegar no momento certo para se estabelecer.
“Essa é uma pergunta extremamente relevante, e eu gosto de respondê-la com total transparência. Durante muitos anos, o mercado brasileiro teve experiências inconsistentes com algumas marcas chinesas, o que naturalmente gerou um olhar mais cauteloso por parte do consumidor. Isso faz parte da construção de mercado e a CFMOTO respeita esse histórico. Ao mesmo tempo, estamos vivendo uma mudança estrutural. Tivemos a chance de entrar em um momento em que marcas como a BYD ajudaram a redefinir completamente a percepção sobre a indústria chinesa no Brasil, mostrando que inovação, tecnologia e qualidade não têm nacionalidade, mas sim padrão de entrega. E mais do que discurso, isso já está acontecendo na prática. Um exemplo concreto foi a nossa presença na Agrishow, onde realizamos uma collab de conteúdo com a DJI Agriculture, duas marcas chinesas, líderes globais em seus segmentos, apresentando ao público brasileiro um ecossistema de tecnologia que vai do chão ao céu. Isso não é apenas posicionamento, é construção real de valor e percepção. Hoje, o consumidor brasileiro evoluiu, está mais criterioso, mais informado e, principalmente, mais aberto. E as marcas chinesas que entenderam isso estão liderando essa nova fase, oferecendo produtos com tecnologia avançada, design competitivo e um conceito muito claro de premium acessível. É exatamente nesse território que a CFMOTO opera. Nosso desempenho em powersports ( ATV, UTV e SSV), onde já lideramos vendas no Brasil, não acontece por acaso, é resultado direto de produto consistente, estratégia de marca e experiência entregue ao cliente há mais de 11 anos. E agora, nossa trajetória no segmento de motocicletas, chegamos com a mesma ambição. Não é sobre combater um estigma, é sobre liderar uma nova narrativa. Queremos, inclusive, ampliar esse movimento por meio de parcerias com marcas globais, fortalecendo um ecossistema de inovação e experiência para os motociclistas. Porque no fim do dia, a decisão não é mais sobre de onde a marca vem, mas sobre o que ela entrega. O Brasil está pronto para isso, e nós também. Estamos chegando de braços abertos, mas principalmente com produtos que falam por si e uma proposta clara de transformação no mercado.”, respondeu Renato Ferri, Head de Marketing CFMoto Brasil.
Para o cidadão, resta aguardar como o mercado reagirá à nova marca chinesa do país.











