O mercado automotivo costarriquense e de outros países da América Latina, apesar de venderem menos de 50.000 veículos por ano, possuem um grande potencial
de crescimento, que está sendo explorado pela Volkswagen. Em 2025, a marca aumentou em 19% o número de vendas da região, excluindo Brasil e Argentina, sendo a única em todo o mundo onde a montadora alcançou os dois dígitos de crescimento.
O potencial da região é tanto que até 2028 a marca lançará quatro modelos exclusivos para a América Latina, que não devem vir para o Brasil. A montadora também foi destaque no Expomovil 2026, o grande feirão de carros da Costa Rica e o maior Salão do Automóvel da América Central
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O foco da Volkswagen nesses países está voltado para atender a grande demanda por picapes, SUVs e modelos eletrificados. Essa lógica também se aplica ao Brasil que é responsável pela produção de boa parte da linha VW no continente e que a partir de 2026 produzirá pelo menos uma versão eletrificada de cada modelo.
Ou seja, podemos esperar versões híbridas ou elétricas de: Tera, Polo, T-Cross, Nivus, Virtus e Saveiro.
Costa Rica e outros países latinos também passaram pelo “boom” das marcas chinesas
Nos últimos três anos, o Brasil está passando por um período marcado pela chegada e consolidação de várias marcas chinesas com inovações tecnológicas e preços muito competitivos. Nomes como BYD, GWM, Omoda Jaecoo, Geely, Leapmotor, entre outros, estão conquistando o mercado nacional e dando muita dor de cabeça para as ‘marcas tradicionais’, que têm dificuldade em competir com os valores de venda dos chineses.
Acontece que o Brasil está ‘atrasado’ nesse processo, já que muitos países na América Latina, já passaram por essa fase há alguns anos e podem, em certa medida, servir de exemplo para o mercado brasileiro. A Costa Rica, por exemplo, é um ponto estratégico na América Central e possui um número impressionante de 115 marcas registradas, dentre elas Volkswagen, Toyota, Ford, Lexus, Mercedes, Kia, Nissan, entre outras ‘convencionais’ e várias chinesas, que vão muito além das presentes no Brasil.
Mas, então, como as montadoras tradicionais sobreviveram? De acordo com Ernesto Rodríguez, Gerente de Marca da Volkswagen Costa Rica a estratégia principal da VW, que atua no país em parceria com o Grupo Purdy, não está voltada para uma competição de preços, mas voltada para a qualidade do produto e a identificação com a marca.
Apesar dos modelos disponíveis na Costa Rica serem produzidos no Brasil, México ou Argentina, a confiabilidade que a marca traz com o ‘DNA alemão’ é um diferencial. Além disso, o gerente costarriquense aponta que a experiência de direção, a história da marca e de seus veículos icônicos, que chegaram na Costa Rica na década de 1950, e as notas máximas em segurança no Latin NCAP são fatores que contribuem diretamente para o crescimento nas vendas da Volkswagen.
América Latina, incluindo o Brasil, clama por picapes, SUVs e eletrificados
Assim, como em terras brasileiras, os SUVs e picapes são o hiperfoco do mercado de vários países latinos. Em muitos deles, como na Costa Rica, há uma grande demanda por carros que consigam circular em terrenos irregulares, além de uma influência do gosto estadunidense por veículos maiores e robustos.
Segundo Paulo Lachowitz, Supervisor de Vendas da Volkswagen para América Latina:
A América Latina tem uma demanda muito forte por veículos de trabalho, seja no agro, na mineração, para pequenas empresas. E cada país tem um perfil diferente, por isso, as picapes são fundamentais. Estamos trazendo novidades importantes nesse segmento. Teremos modelos com grande capacidade de carga, foco em trabalho, e também uma nova geração de picapes muito mais tecnológicas e com desempenho impressionante. E esse segmento é essencial para o crescimento da marca na região.”
O representante da VW também aponta o investimento na eletrificação como objeto de desejo dos clientes e parte importante nos planos da marca. De acordo com o supervisor de vendas, a marca guarda muitas novidades, especialmente quando o assunto é eletrificação.
Sem entrar em muitos detalhes, ele afirmou que a partir de 2026, todo carro produzido no Brasil terá pelo menos uma versão eletrificada. Lachowitz também revelou que a marca vai lançar quatro modelos exclusivos para a América Latina, que não virão para o Brasil.
Todos os novos produtos desenvolvidos na América do Sul já terão algum nível de eletrificação, sejam eles híbridos leves, híbridos ou híbridos plug-in. Estamos avançando nisso para competir com marcas que já têm forte presença nesse tipo de tecnologia. E a Costa Rica é um mercado-chave nesse movimento. Todos os próximos lançamentos também chegarão aqui.”
Metade da linha VW vendida na Costa Rica é brasileira
Mesmo com o mercado acirrado pela liderança isolada da Toyota e pela enorme oferta de modelos chineses, a VW conseguiu um aumento expressivo nas vendas em 2025 e, segundo Ernesto Rodríguez, a meta é crescer 30% em 2026.
A sua linha na Costa Rica é composta de oito modelos, todos importados:
- Tera (Brasil);
- T-Cross (Brasil);
- Nivus (Brasil);
- Saveiro (Brasil);
- Taos (México);
- Tiguan (México);
- Jetta (México);
- Amarok (Argentina).
Imediatamente, já é possível encontrar duas diferenças principais em comparação à linha brasileira, que estão presentes em quase todos os modelos:
- Todos os veículos são movidos apenas à gasolina;
- Os veículos só estão disponíveis com câmbio automático, com exceção da Saveiro que tem uma versão manual.
Fora isso, as divergências são mais pontuais. O modelo da Volkswagen que mais faz sucesso na Costa Rica é o T-Cross, que está disponível apenas na versão Comfortine de motor 1.0 TSI e 101 cv. Ele é seguido pelo Tera, que, apesar de ter sido lançado há menos de um ano, já se destaca nas vendas e foi o protagonista do estande da Volkswagen no Expomovil 2026.
O modelo já alcançou as 100 mil unidades produzidas e passou o Polo, se tornando o carro mais exportado da VW Brasil. O SUV de entrada está disponível apenas nas versões Comfort e High com motor 1.0 TSI de 109 cv e os mesmos equipamentos oferecidos no Brasil, a principal diferença é que ele não é um carro conectado, pois não possui o assistente Otto.
Outros modelos apresentam algumas mudanças em relação aos veículos vendidos no Brasil. O Tiguan, por exemplo, além da R-Line, conta com uma versão de entrada chamada Life com rodas de 19” e lista de equipamentos um pouco distinta. Outro ponto de divergência é que as duas versões contam com motor 1.4 aspirado e câmbio de dupla embreagem DSG. Já o Taos está disponível apenas na versão Highline, com os mesmos equipamentos, mas tem rodas maiores de 18” e opção de acabamento interno em couro bicolor branco e preto.
Em breve, serão comercializadas também a nova geração da Amarok V6 e a picape Tukan, que será híbrida e produzida no Brasil, em São José dos Pinhais (PR), a partir de 2027. Além disso, outra novidade é que a empresa vai promover um evento de vendas inédito na Costa Rica, similar ao Volks Festival que acontece no Brasil.
O ‘Open Doors’ será pensado junto do Grupo Purdy especialmente para o público costarriquense para alimentar a identificação e a conexão emocional com a montadora. “Vamos expandir esse tipo de experiência pela América Latina. O cliente passa a fazer parte do lançamento, participa de um momento especial e isso o aproxima muito mais da marca. É sobre experiência”, acrescentou o supervisor.











